|
MUNDO
FALA DANTAS!!! FALA.
"Vou detonar! Vou contar tudo. Tudo sobre a corrupção no Judiciário, no Congresso, na imprensa!".
Assim teria sido o desabafo do banqueiro "maior corruptor da história", Daniel Dantas, ao delegado Protógenes Queiróz na noite de quinta-feira, 10 de julho. A certa altura da conversa entre o delegado e o banqueiro, o primeiro diz depois de entregar o relatório das investigações a Dantas: "...sua grande ruína foi a mídia...você perdeu muito tempo com isso, leia esse capítulo sobre a mídia e entenda porque você está preso...sua defesa começa aqui, com todo o respeito que eu tenho ao seu advogado aqui presente...".
O envolvimento de Daneil Dantas com políticos e autoridades do judiciário parece evidente, óbvio até, se analisadas as informações publicadas nos jornalões dos últimos dias. Mas o que cega de irritação qualquer mortal é saber que desde longa data a revista CARTA CAPITAL, que, inclusive, apelidou o banqueiro de "Orelhudo", vinha denunciando o envolvimento de Dantas com setores da grande imprensa, sendo por isso execrada por muita gente que qualificava a revista "do Mino Carta" como manual de esquerdistas inconsequentes.
Uma pena que já na tarde de sexta-feira, enquanto o "Orelhudo" começava mais um depoimento, o seu advogado, Nélio Machado, tenha afirmado que orientou o seu cliente para não dizer nada. Tudo isso está publicado no competente trabalho jornalistico de Bob Fernandes para a revista do Portal Terra.
Parabéns Bob Fernandes e aplausos também para a Revista Carta Capital.
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h03
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
ALIMENTO e ENERGIA
ALIMENTO e ENERGIA
Ainda bem que nós, os lunáticos catastrofistas adeptos da teoria da conspiração, não ficamos sozinhos difundindo a tese da falência do modelo de civilização em que vivemos.
Pelo menos é o que concluiu o escriba deste blog ao ser informado que o escritor/jornalista estadunidense Paul Roberts defende a mudança dos hábitos das sociedades ocidentais como alternativa primeira para solucionar os problemas relacionados às crises alimentar e energética. Para o autor dos livros “O Fim do Petróleo” e “O Fim do Alimento” “Não adianta falarmos que queremos que o governo, a ONU, seja quem for, resolva o problema, desde que nós possamos continuar tendo 2,5 carros, como é a média atual nos Estados Unidos".
Que bom que ele é norte-americano! Ainda acredito que eles sejam fortes quando expõem suas idéias. Talvez nós, pobres mortais, ainda tenhamos tempo para assistir um comercial da campanha contra a comercialização excessiva de automóveis por este mundão de Deus.
Enquanto isso, vale conferir os livros do “ousado” Paul Roberts.
Escrito por Fernando Gelfuso às 21h58
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
GUERRA E MISÉRIA
GUERRA E MISÉRIA:
"(...).
Os terroristas se parecem entre si: os terroristas de Estado, respeitáveis homens de governo, e os terroristas privados, que são loucos soltos ou loucos organizados desde os tempos da Guerra Fria contra o “totalitarismo comunista”. E todos agem em nome de Deus, seja Deus, Alá ou Jeová. Até quando continuaremos a ignorar que todos os terrorismos desprezam a vida humana e que todos se alimentam mutuamente. Não é evidente que nesta guerra entre Israel e Hezbolá são civis, libaneses, palestinos, israelenses, os que choram os mortos? Não é evidente que as guerras do Afeganistão e do Iraque e as invasões de Gaza e do Líbano são incubadoras do ódio, que fabricam fanáticos em série?
Somos a única espécie animal especializada no extermínio mútuo. Destinamos US$ 2,5 bilhões, a cada dia, para os gastos militares. A miséria e a guerra são filhas do mesmo pai: como alguns deuses cruéis, come os vivos e os mortos. Até quanto continuaremos a aceitar que este mundo enamorado da morte é nosso único mundo possível?". __________ Eduardo Galeano. Fragmento de artigo escrito originalmente para a revista cubana La Jiribilla.
Escrito por Fernando Gelfuso às 21h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
PERGUNTAS DE UM TERRÁQUEO CANSADO
Cansei!!!
Agora só vou perguntar...
Será que este modelo de civilização não tem mais problemas? Ele venceu mesmo? Venceu quem? Onde está escondido o troféu do grande vencedor? Os paises que substituíram o modelo derrotado pelo vencedor são hoje menos injustos, cruentos ou hipócritas? Ditaduras das empresas são melhores ou piores do que as dos estados? Será que as grandes questões econômicas, políticas e sociais só não merecem maior destaque na mídia porque são resolvidas muito rapidamente? Os grandes problemas do mundo rico são somente aqueles produzidos pelas hordas geradas nos ventres das mulheres migrantes, proletárias da pós-modernidade? As guerras que o grande império patrocina no mundo inteiro não provocam mais nada além da derrubada de regimes tirânicos e da reação desatinada de seus brutais seguidores? Aliás, quantas são as guerras em curso no mundo atual? Quais são as suas causas estruturais e conjunturais? Os genocídios perpetrados contra populações africanas acabaram? As carnificinas patrocinadas pelos grandes conglomerados protetores de governos corruptos do submundo do capitalismo também já foram transformadas em peças para a História? As pessoas estão “cansadas” de aviões que atrasam, da corrupção, dos impostos, da violência, e dos juros; mas será que ninguém se cansou ainda da miséria extrema, da cidadania concedida como privilégio, da exclusão e da apartação étnica e social? A propósito, alguém sabe o que é miséria extrema? Jornalismo mercadológico e novelas também não cansam? Não há um meio de se cansar também do ócio e da opulência? O “ter” também não cansa? As pessoas não se cansam das crianças dos semáforos? Se excluirmos os serviços públicos, reconhecidamente de péssima qualidade, o nosso sistema de saúde não tem nenhum problema além das misérias que pagam aos médicos? Por falar nisso, ninguém morre no mundo por erro médico, ou essas mortes são menos graves por serem assépticas? O grande problema da educação continua sendo somente o despreparo e a preguiça dos professores? As grandes empresas e conglomerados só trazem benefícios às sociedades do mundo contemporâneo? Os políticos são de fato o único problema encontrado pelas administrações das coisas públicas? O cigarro produzido com tabaco continua matando muito, só ele? Matam menos os carros, os celulares, a guerra, o trabalho, ou ainda estresse, agonia, angústia, solidão e as outras drogas utilizadas para amenizar as dores provocadas por esses sentimentos? Será que há alguma instituição pública ou privada preparando, com a ajuda de especialistas, uma campanha contra a venda indiscriminada de automóveis e de celulares? Os biocombustíveis resolverão mesmo os problemas ambientais?...? ...? ...? ...? ...?
Peço perdão pelo total desequilíbrio e desordem deste escrito. Nem dá prá dizer que se parece com o “samba do crioulo doido” porque falta a este qualidade literária e brilho poético. Mas... são perguntas. Questões de uma mente perturbada pelo unilateralismo midiático, Dúvidas de um terráqueo que está a ponto de pedir para descer...
Escrito por Fernando Gelfuso às 11h01
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
ESTRANHEZA NUCLEAR
ESTRANHEZA NUCLEAR
Os jornais de hoje, 23 de fevereiro, estão noticiando que o Paquistão testou com sucesso o lançamento de um míssil de longo alcance (2000 km) capaz de transportar todos os tipos de armas, inclusive ogivas nucleares.
Ao mesmo tempo os “jornalões” informam que autoridades do governo britânico estão apreensivas com a possibilidade de o governo George Bush agredir militarmente o Irã, país que insiste em dar andamento ao seus projetos nucleares, antes do final do seu mandato nos próximos dois anos.
A estranheza reside no fato de que a nota sobre o teste paquistanês mostra preocupação com as relações daquele país com a Índia, já que ambos são países pertencentes ao chamado “clube atômico” e possuem pendengas diplomáticas, e só; enquanto que a outra matéria insiste em informar à opinião pública que o Irã mostrou-se intransigente nas negociações sobre seu programa nuclear, negando-se, inclusive, a suspender seu programa de enriquecimento de urânio, como informou o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgado na quinta-feira.
Sabemos das posições e “preocupações”(?) do governo norte-americano face às “ameaças”(?) nucleares que emanam de Teerã. Ficamos então no aguardo dos pronunciamentos das autoridades estadunidenses sobre as questões militares paquistanesas.
Vale lembrar que o Paquistão é um país muçulmano (96,1% da população), assim como o Irã (95,6% da população); com um PIB que corresponde à terça parte do PIB iraniano, e que, apesar disso, ambos os países destinam quase a mesma quantidade de recursos para a defesa (US 2,5 e US 3 bilhões).
Só para fundamentar um pouco mais nossas análises, bom saber que no Paquistão a Constituição está suspensa desde 1973 (as ditaduras conhecidas pelos leitores ocidentais são, dentre outras, as de Fidel, Hugo Chaves, Saddam Hussein), enquanto que a Carta Constitucional do Irã está em vigência desde 1979. Outro dado interessante: Paquistão e Índia, juntamente com China e Bangladesh, abrigam mais da metade dos analfabetos de todo o mundo. No quesito educação, o Irã supera o Paquistão.
Concluímos então que o Paquistão merece também uma “atenção” especial da grande potência ocidental, certo? Não, errado! Ocorre que entre os dois países em questão há uma outra diferença: o Paquistão é, no atual momento histórico, um dos grandes aliados dos Estados Unidos no Oriente. Então, as atenções e preocupações da imprensa...
Escrito por Fernando Gelfuso às 17h19
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
MIGRAÇÕES
MIGRAÇÕES
PARTE I (*) -
Freqüentes na História da humanidade, as ondas migratórias e seus efeitos econômicos, sociais, étnicos e nacionais voltaram a afligir as sociedades de países pobres e ricos nos últimos anos. Mais recentemente alguns governos do mundo próspero radicalizaram medidas visando conter as invasões dos “novos bárbaros”. Muros e leis construídos para tentar conter os fluxos migratórios têm corroborado para acirrar os conflitos étnicos que possuem, mais profundamente, raízes econômicas e sociais.
O termo migração tem origem no latim migratio - ónis, e significa “passagem de um lugar para outro”, sendo largamente utilizada nas Ciências Humanas para designar movimentos de deslocamento de populações nos diferentes espaços naturais e geográficos do planeta. Outras ciências também a empregam com abundância. A Biologia, por exemplo, também utiliza a expressão na área da Ecologia para explicar o deslocamento de espécies de animais de uma região para outra em condições específicas. Os elétrons também migram na Química, assim como os números podem migrar na matemática, e os consumidores também migram de um mercado para outro de acordo com os economistas.
Mas, voltando-nos para a área de nosso interesse, os movimentos de entrada de populações em uma dada região são denominados IMIGRAÇÕES, enquanto que os de saída recebem o nome de EMIGRAÇÕES.
Quanto às suas formas as migrações podem ser, em relação ao espaço, Internas (êxodo rural e êxodo urbano) e externas (intracontinentais e intercontinentais); quanto à duração podem ser Definitivas ou Temporárias; Voluntárias ou Forçadas com respeito à forma, e Legais ou Ilegais quanto ao controle que é exercido sobre elas pelos Estados.
No que se refere às suas causas ou motivações elas podem ser econômicas, políticas, religiosas, étnicas, culturais, turísticas, laborais (profissionais) e naturais (catástrofes).
Na antiguidade, entre o segundo milênio a.C. e as primeiras décadas d.C., os hebreus migraram de Ur, na Mesopotâmia, para a Palestina, de lá para o Egito, retornaram, liderados por Moisés, para a Palestina, sendo dali levados cativos para a Babilônia para, depois de libertados pelos persas, retornarem para a “Terra Prometida” (Palestina), de onde saíram em dispersão pelo mundo, a partir do ano 70, fugindo das perseguições romanas. Pois bem, encontramos nos inúmeros deslocamentos do povo hebreu motivações econômicas (sobrevivência), política (organização de um Estado unificado) e religiosas (conflito entre o monoteísmo judaico e as religiões politeístas da época).
Ainda na antiguidade, os gregos empreenderam um grande fluxo migratório em direção às áreas litorâneas do sul da Europa (mediterrânea). Razões: o crescimento demográfico e a escassez de terras para abrigar e alimentar o contingente populacional que só fazia crescer. Na História chamamos o processo de “Colonização Grega”. Anteriormente a população da Península Balcânica já havia ocupado áreas da Ásia Menor em ondas avassaladoras depois que suas terras foram violentamente ocupadas pelos Dórios, invasores indo-europeus. Motivação, portanto, político-militar.
* Este texto está publicado sem fragmentações no endereço www.gelfuso.blig.ig.com.br
Escrito por Fernando Gelfuso às 14h38
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
MIGRAÇÕES
MIGRAÇÕES
PARTE II -
No período medieval, para restringirmos nossa conversa àquilo que é estudado nos bancos escolares – senão teríamos que nos voltar para a América, África e Ásia também – as sociedades européias vivenciaram grandes movimentos migratórios. Os mais conhecidos são os germanos e os eslavos, povos alcunhados pela historiografia tradicional de “bárbaros”. Em ondas intermitentes os godos assim como os magiares ocuparam os espaços outrora controlados pelo poderoso Império Romano. Naquelas áreas, em poucas décadas, os recém-chegados organizaram seus reinos. Os “bárbaros” foram movidos por necessidades econômicas e encontraram o Império Romano em estado de ruína política, militar, econômica e social. No final da Idade Média, por volta dos anos 1300 e 1400, aos povos europeus foi imposta a necessidade de migrarem para outras regiões do continente devido aos conflitos resultantes da crise feudal como, por exemplo, a Guerra dos Cem Anos, e à grande crise de abastecimento também resultante da crise do modo servil de organização social e econômica.
A modernidade, período que compreende os anos 1453 e 1789 teve início com a expansão comercial feita pela via marítima, patrocinada pelos Estados absolutistas e financiada pelas burguesias nacionais. Naquele contexto, aventureiros europeus, ávidos por enriquecimento rápido e fácil, misturavam-se a clérigos e missionários leigos, católicos e protestantes, na empresa conquistadora e colonizadora dos continentes americano, africano e asiático. Aos milhões, os filhos excluídos e outros decadentes – os nobres – da Europa migraram por razões econômicas e religiosas, principalmente.
Esse processo de transferência de população da Europa para os outros continentes se estenderia por toda a Idade Moderna e avançaria ainda os séculos XIX e XX, época em que a burguesia, já consolidada como classe hegemônica e dominante nas sociedades européias, empreenderia um novo tipo de expansão, agora industrial e financeira. Eram os tempos do imperialismo e do neocolonialismo. Indústrias, máquinas, meios de transporte e de comunicação, capitais e homens – novos tipos sociais, ou seres humanos de novo tipo, resultantes da Revolução Industrial – passaram a ser exportados em larga escala para o mundo que “desconhecia o progresso”. Numerosa, a classe operária começava a ameaçar a estabilidade dos Estados capitalistas europeus na “era do imperialismo”.
De fato, o crescimento demográfico verificado nos anos 1800 logo apresentou seu mais perigoso efeito colateral: o desemprego. As ameaças de convulsões sociais decorrentes da oferta abundante de mão-de-obra eram potencializadas pela difusão do pensamento marxista (o Manifesto Comunista foi publicado em 1848) e pelas novas formas de organização e de lutas dos trabalhadores (sindicatos, greves, ludismo e cartismo). Some-se a isso o desenvolvimento das doutrinas totalitárias de direita (nazi-fascismo) nas primeiras décadas do século XX, que vitimou pela perseguição dezenas de milhares de trabalhadores que se a elas se opunham notadamente na Itália.
Escrito por Fernando Gelfuso às 14h37
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
MIGRAÇÕES
MIGRAÇÕES
PARTE III -
Para o Brasil migraram além de trabalhadores e técnicos ingleses dedicados à construção das ferrovias, das linhas de bondes, e para a instalação de cabos telegráficos, outros enormes contingentes de italianos, alemães, portugueses e espanhóis dispostos a emprestarem seus braços e entregarem suas vidas à nossa aristocracia cafeeira. Aqueles que não se “adequaram” ou não encontraram trabalho nos cafezais acabaram por compor o primeiro “exército” de operários da indústria nacional. Muitos imigrantes, notadamente aqueles oriundos do movimento operário italiano da época da unificação daquele país, organizaram os primeiros sindicatos brasileiros.
Podemos concluir então que o processo de imigração do Brasil dos cafeicultores teve razões econômicas e também políticas, já que os trabalhadores europeus vitimados pela conjuntura de crise decorrente da expansão do capitalismo industrial e financeiro buscavam trabalho porque estavam alijados daquele processo ou porque eram perseguidos por suas convicções políticas. Assim, enquanto atendiam as necessidades da elite agrária brasileira ofertando seus braços para a lavoura cafeeira em expansão, os trabalhadores emigrados desafogavam o já provido mercado de trabalho europeu.
Por uma conjugação de fatores, como os que foram brevemente descritos anteriormente, nos primeiros anos do século XX – desde 1900 até as vésperas da Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918) e depois até o início da década de 1940 – o mundo assistiu à maior migração de massas já registrada pela História. Dos quase 40 milhões de imigrantes que optaram pelos EEUU entre 1800 e 1955, 15 milhões chegaram nos primeiros quinze anos do século XX e outros 5,5 milhões nos quinze anos seguintes. Outras dezenas de milhões de europeus atravessaram o Atlântico em busca de trabalho e de liberdade política na Argentina (7 milhões), no Canadá (5,2 milhões), no Brasil (4,3 milhões) e em outros países latino-americanos. Como se vê, a América era um dos lugares do mundo onde “a terra não faltava”, por isso foi escolhida para abrigar a maioria dos filhos excluídos da prosperidade européia.
No período que compreendeu as duas grandes guerras mundiais (1918 a 1945) houve um “estrangulamento da migração internacional”, segundo o historiador Eric Hobsbawm. Naquela época os fluxos migratórios foram reduzidos em função mesmo dos conflitos já que os homens, maioria dos trabalhadores que buscavam alternativas fora do continente europeu, estavam “ocupados” nas frentes de batalhas servindo aos exércitos de seus países; e mesmo aqueles que não estavam diretamente envolvidos nos combates acabavam impedidos de migrar, pois os sistemas de transportes eram diretamente afetados pelas guerras. Além disso, a internacionalização da crise econômica capitalista, que fez quebrar a bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, não só inviabilizou as migrações para os trabalhadores interessados, como também fez com que os paises passassem a adotar medidas restritivas à imigração. Políticas cada vez mais rigorosas como “Leis de cotas de imigração”, novas “leis de naturalização” e “leis de combate à imigração ilegal” foram implementadas nos quatro cantos do mundo.
Escrito por Fernando Gelfuso às 14h36
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
MIGRAÇÕES
MIGRAÇÕES
PARTE IV -
Na década de 1950 houve uma retomada dos movimentos populacionais no mundo, só que em sentido inverso. A Europa passou a ser o destino da maioria dos migrantes, pois, como as guerras dizimaram as populações masculinas e jovens dos países europeus, faltavam braços para reconstruí-los. Assim, muitos europeus emigrados retornaram para seus países de origem, assim como populações das áreas mais pobres e não devastadas da Europa buscavam construir ou reconstruir suas vidas buscando trabalho nas áreas arruinadas pelas guerras, ou em regiões que se industrializavam. Foi o caso, por exemplo, dos italianos do sul que migraram em massa para os países da Europa Central ou para as áreas mais ricas do norte da própria Itália como a Lombardia e o Piemonte. Paises como França, Inglaterra, Alemanha Ocidental, Suíça, Holanda, Bélgica e Luxemburgo foram os que mais receberam imigrantes dos países ibéricos, do norte da África (Argélia, Tunísia e Marrocos) da Iugoslávia, da Turquia e da Irlanda.
Na década de 1970, já reconstruídos com a preciosa ajuda dos braços estrangeiros, os países europeus foram vitimados pelas grandes crises do petróleo, os “choques” que elevaram abruptamente os preços internacionais do produto. A guerra Irã-Iraque, que se estendeu por toda a década de 1980, fazia oscilar ainda mais para cima os preços do “ouro negro”, contribuindo assim para desestabilizar ainda mais a economia dos países industrializados. Ameaçada a prosperidade, era preciso expurgar os estrangeiros reconstrutores e barrar a chegada de “novos bárbaros”. Vieram as restrições e, mais do que isso, a violência e o recrudescimento dos movimentos nacionalistas e xenófobos contra os imigrantes. O neonazismo aflorou em diversos recantos da Europa ocidental. Partidos de extrema direita passaram a carregar o estandarte da exclusão, da apartação e da expulsão para os estrangeiros. Alguns governos respondiam com leis restritivas que só contribuíam para agravar a onda de xenofobia que ameaçava se instalar. Hobsbawm chamou esse processo de “xenofobia púiblica”.
Na virada do século o quadro agravou-se devido aos atentados de 11 de setembro de 2001. Desde então os países ricos passaram a associar indiscriminadamente os imigrantes ao terrorismo internacional. Há hoje uma tendência maior e mais deliberada de fechamento das fronteiras e de intensificação da vigilância sobre os estrangeiros e descendentes que vivem nas nações mais prósperas do mundo. Para as sociedades ricas do mundo os “novos bárbaros” ameaçam não só os seus empregos e suas prosperidades econômicas, mas também as suas vidas. Os imigrantes podem fazer explodir economias, sistemas de saúde, modelos de educação e também metrôs, prédios, ônibus e trens.
Ocorre que enquanto alteravam-se as relações dos Estados e das sociedades ricas para com os imigrantes, o sistema capitalista modificava mais uma vez o seu perfil. O processo de globalização desencadeado no início da Idade Moderna com a expansão marítima e comercial atingia o seu clímax nas últimas décadas do século XX, trazendo consigo a internacionalização do modelo neoliberal de organização para as sociedades de quase todo o planeta, e com ele a concentração da riqueza dos países até os limites do insuportável, as privatizações e o desemprego em massa, muito mais graves e mais sentidas nas nações economicamente mais frágeis.
Escrito por Fernando Gelfuso às 14h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
MIGRAÇÕES
MIGRAÇÕES
PARTE V -
Por isso, podemos afirmar que os atuais fluxos migratórios têm como destino as ilhas de prosperidade do mundo capitalista – EEUU, Europa Ocidental e alguns países do sudeste asiático – e tendem a aumentar em volume de pessoas na mesma medida em que o modelo neoliberal multiplica a pobreza em todo o mundo outrora receptor de aventureiros, exploradores e desempregados do “exército industrial de reserva” da época imperialista. O desemprego está empurrando os jovens para fora dos países pobres.
Devemos considerar ainda os enormes contingentes populacionais que abandonam seus países como refugiados das dezenas de guerras localizadas que assolam vastas regiões da esquecida África e do turbulento e cobiçado Oriente Médio.
Esses dois fatores, a proliferação da pobreza e as guerras, contribuíram para um aumento brutal das migrações nas últimas décadas, superando muito os recordes de outras ondas migratórias registradas anteriormente pela História. Segundo dados da ONU, havia, em 1960, 76 milhões de migrantes no mundo, hoje há 175 milhões. Eles representam quase 10% da população total dos países industrializados. Nos EEUU, por exemplo, o número de migrantes cresce em média 3% ao ano. Lá o número de latino-americanos saltou de 8,4 milhões em 1990 para 15 milhões no ano 2000.
A gravidade da situação pode ser atestada pelo caso da Nicarágua, país da América Central onde 12% da população possuem parentes que migraram para outras regiões do mundo em busca de trabalho. O mais alarmante neste caso é que muitos dos que emigraram tomaram o caminho da vizinha Costa Rica, onde são alcunhados de “nicas” e considerados indesejáveis pela maioria dos “ticos” – os costarriquenhos, mas constituem-se em importantes suprimentos de mão-de-obra para as lavouras de banana, café e flores. Se são importantes para a economia costarriquenha, muito mais os “nicas” têm significado para a sobrevivência econômica da Nicarágua, já que as suas remessas representam 15% do PIB da nação de Augusto César Sandino. E mais, o governo da Nicarágua revelou que 60% das pessoas que superaram a pobreza no país possuem parentes trabalhando fora.
Temos aqui mais um ponto para reflexão: primeiro, o destino dos migrantes nem sempre é a ilha de prosperidade, às vezes os trabalhadores migram para as regiões de acesso mais fácil e mais barato; segundo, a migração pode ser uma importante alternativa à pobreza.
Assim, se uma pequena parcela dos empregos dos países industrializados – as ilhas de prosperidade – fosse entregue aos trabalhadores temporários vindos dos países pobres, os recursos enviados na forma de remessa serviriam para melhorar em muito a qualidade de vida das áreas atingidas pelo colonialismo, pelo imperialismo e pelo neoliberalismo europeus.
Talvez seja este o momento adequado para que a Europa e a América do Norte retribuam aos povos africanos, asiáticos e latino-americanos a enorme contribuição que eles ofereceram ao desenvolvimento do capitalismo.
Escrito por Fernando Gelfuso às 14h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Para o JF sobre o "Efeito do Efeito Estufa"
Para o JF sobre o "Efeito do Efeito Estufa"
O senhor JF – é assim que ele se identificou – visitou dias atrás o nosso blog e acabou fazendo um comentário sobre o artigo indicado no texto “EFEITO DO EFEITO ESTUFA” (27/12/2006). Na verdade o JF fez uma dura contestação ao texto e ao artigo indicado, para ele “Isso é a desinformação e mentira propalada pelos meios de comunicação”.
Para consolidar ou dar sustentabilidade à sua opinião o visitante nos deixou a indicação do link http://mitos-climaticos.blogspot.com que, segundo o nosso crítico, analisa melhor o “mito do suposto aquecimento global”.
Curiosos que somos nos dispusemos a correr os olhos no link indicado pelo JF. Encontramos um Blog chamado “Mitos Climáticos” que apresenta textos técnicos da área de climatologia e/ou meteorologia, todos bem escritos, etc. Porém, verificamos que as fontes e referências dos artigos são em sua maioria norte-americanas, ou seja, emanam daquele que é o país que menos se interessa por questões ambientais. Apesar de serem reconhecidamente os maiores responsáveis pela poluição atmosférica os Estados Unidos da América nunca se esforçaram para estarem em uma mesa de negociações sobre o assunto, pelo contrário, já fugiram delas.
Como nós não acreditamos em ciência neutra, preferimos pensar que os cientistas citados naquele Blog puxam as sardinhas para as suas brasas. Trocando em miúdos: as fontes não são confiáveis.
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h22
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
DEMOCRACIA E PENA DE MORTE
DEMOCRACIA E PENA DE MORTE
Democracia não combina com pena de morte. Foi assim que alguns líderes ocidentais, inclusive o nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestaram suas preocupações quanto às consequências do enforcamento de Saddam Hussein. Argumentam que o fato pode expor uma contradição difícil de ser explicada e mais ainda de ser entendida pelos povos do mundo árabe.
O presidente Bush Júnior, que normalmente mostra-se como um político dotado de poucos conhecimentos históricos, além dos parcos escrúpulos, afirmou que o enforcamento foi um "marco importante no rumo seguido pelo Iraque para se transformar numa democracia capaz de se governar, sustentar e defender...Hoje vemos o quanto avançou o povo iraquiano desde o fim do regime de Hussein".
Parece que, enfim, a visão histórica do líder norte-americano superou até mesmo a de alguns representantes dos organismos de direitos humanos, pois só ele Bush entendeu que a violência da pena de morte está visceralmente ligada à origem do Estado liberal-democrático burguês. Fica a impressão de que, além dele, ninguém mais sabe que a guilhotina é um dos símbolos maiores da Revolução Francesa de 1789, modelo clássico de revolução liberal burguesa, que eliminava os seus opositores cortando-lhes o pescoço.
A forca é um meio de aplicação da pena capital mais "limpo" do que a guilhotina, já que não sangra o penalizado, apesar de ser mais antigo. A burguesia utilizou em larga escala o método mais "sujo", o Iraque ainda utiliza o mais antigo, só isso.
Quanto ao Bush Júnior, ele continua acreditando nos mesmos princípios dos revolucionários franceses.
Escrito por Fernando Gelfuso às 16h15
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
A MORTE DO EX ALIADO
A MORTE DO EX ALIADO
Depois de ter prestado inestimáveis serviços à diplomacia norte-americana nas terras do petróleo durante toda a década de 1980, o ex-ditador do Iraque, Saddam Hussein, foi enforcado na manhã deste sábado - 30 de dezembro de 2006 - em local ainda ignorado.
A morte do ex-aliado dos EEUU se deu exatamente no momento em que o país de Saddam está sob ocupação militar da potência que tanto o respaldou em seus atos de violência. Aliás, a setença de morte resultou de um processo em que o ex-ditador era acusado pela morte de 148 xiitas iraquianos em 1982, época em que Hussein ainda estava à serviço dos interesses estadunidenses na região. Naquela época os radicais aiatolás - xiitas - do Irã haviam expulsado do país o xá Mohammad Reza Pahlavi, aliado dos EEUU. Assim Saddam acabou sendo o escolhido para tentar deter a expansão da Revolução Islâmica do Irã.
Em nome desses interesses Irã e Iraque foram à guerra. Foram oito anos, quase uma década, de atrocidades "saddanianas" toleradas e apoiadas por Washington.
É assim; serviu, agora não serve mais; então...descarta-se.
E há quem procure me interpelar dizendo: puxa, você é professor de História, eu adoro História, ela é tão bonita!!!
Pois eu digo que a História não é bonita. Pelo menos a oficial, não é. Ela é construída por complôs, traições, incoerências, brutalidades, injustiças, mentiras, falcatruas, guerras, mortes, enforcamentos.....
Escrito por Fernando Gelfuso às 09h58
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
EFEITO DO "EFEITO ESTUFA"
Para aqueles que interessada ou desinteressadamente ainda resistiam em aceitar as "catastróficas previsões" para o futuro do nosso planeta, segue um link para leitura da informação mais dramática deste final de ano: o desaparecimento da ilha de Lohachara, na India.
http://agenciact.mct.gov.br/index.php/content/view/42695.html
ou
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2712200603.htm
O "sistema mundial produtor de mercadorias" - denominação é de um pensador alemão, o ex-taxista Robert Kurz - conseguiu liquidar com o humanitarismo e com a capacidade humana de pensar coletivamente; não satisfeito ele destruiu o espaço destinado à sobrevivência de todos os seres vivos.
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h18
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
CONDOLEEZZA, O MERCADO E O IRAQUE
CONDOLEEZZA, O MERCADO E O IRAQUE
A imprensa veiculou no dia 23 de dezembro de 2006 palavras da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, sobre a atual situação da guerra de agressão perpetrada por seu país contra o Iraque. Disse a viajada celebridade que “o custo da guerra em termos financeiros e de vidas humanas ‘é um investimento que vale a pena’”.
Por mais que os jornalões buscassem explicar que o pronunciamento de uma das mais eminentes personalidades do belicismo estadunidense objetivava justificar para o contribuinte os gastos astronômicos daquela guerra inútil e, ao que parece perdida, não dá para deixar de pensar que tudo parece mesmo é estar bem de acordo com a lógica imperial e mercadológica. Fica a impressão de que a secretária queria dizer que a guerra tem sido lucrativa, apesar das vidas que se perderam, ou que o “sacrifício vale a pena”, como ela mesma afirmou.
Nada mais de acordo com o atual estágio de desenvolvimento da civilização. A guerra está agradando ao mercado, pelo menos é o que a retórica deixa transparecer. Não importa se ela exige mais recursos e vidas para serem consumidas, afinal ambos estão para os interesses norte-americanos na região como as economias dos cidadãos daquele país estão para eles mesmos. Tudo é investimento. O retorno financeiro virá.
O Iraque é hoje um país devastado, toda a sua infra-estrutura está destruída, o meio ambiente condenado, o sistema de saúde depauperado e sobrecarregado pelo aumento no número de doenças provocadas por radiação – há poluição radioativa no ar, na água e no solo do país – como câncer e doenças dermatológicas, o patrimônio cultural e arqueológico da velha Mesopotâmia está quase que todo condenado, assim como as escolas de todos os níveis.
O sacrifício vale a pena porque esse país vai ter de ser reconstruído, e isso deve movimentar enormemente o setor da construção civil que levará consigo outros setores da economia norte-americana e dos países aliados que também arriscaram esperando pelos resultados do “investimento”.
Quanto às “vidas humanas”, já algum tempo atrás elas ultrapassaram meio milhão de perdas. Para sorte dos contribuintes norte-americanos o “investimento” deles exigido até o momento é pequeno, apenas 3 mil vidas. Talvez só as ações das agências funerárias caiam em Wall Strett.
Vale salientar que a declaração de Condoleezza Rice foi feita um dia após o presidente Bush Júnior ter afirmado que os Estados Unidos “não estão vencendo a guerra”. Depois que, pela primeira vez em três anos, o presidente reconheceu a derrota iminente na sanguinária aventura, era importante que uma personalidade do governo com a notoriedade de Rice viesse a público para acalmar o mercado, ou para justificar a demora do retorno financeiro aos investidores.
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h49
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
IMPERIALISMO NO ORIENTE MÉDIO
IMPERIALISMO NO ORIENTE MÉDIO
No dia 1º de dezembro de 1918, quando ainda esfriavam os canos das armas disparadas em combates da Primeira Guerra Mundial, encontraram-se na cidade de Londres o primeiro-ministro francês George Clemenceau e o também primeiro-ministro da Grã Bretanha David Lloyd George. Objetivo da conversa: partilhar os despojos do Império Turco Otomano, aliado da Alemanha na guerra e chamado por um czar russo de “homem doente que a Europa carrega nos braços”. Claro que a Rússia também receberia uma parte do suculento cardápio que começava a ser servido naquele banquete imperialista.
Com um potencial econômico e militar já exibido durante a grande guerra de 1914 a 1918, os Estados Unidos da América pareciam remar em sentido contrário à correnteza imperialista, pelo menos com relação às propostas de seu presidente Woodrow Wilson que insistia na possibilidade de uma “paz sem vencedores”, contrariando evidentemente os interesses da grande burguesia estadunidense.
Durante a guerra, britânicos e franceses procuraram lideranças árabes – xerifes e xeiques como Faisal Hussein – que, em troca de compensações políticas no pós-guerra, os auxiliasse na luta contra o Império Turco. A promessa era a de conceder aos árabes um grande Estado independente. Foi em nome desse Estado – um único país – que o povo árabe se uniu contra o dominador turco na grande e sanguinolenta Revolta Árabe. Depois de derrotadas as potências da Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e o Império Turco) na grande guerra, a promessa britânica feita aos árabes foi desrespeitada, ou seja, os árabes acabaram traídos. França e Inglaterra assinaram um acordo secreto conhecido como Sykes-Picot, dividindo entre eles uma vasta região da Ásia Ocidental que hoje conhecemos como Oriente Médio.
Assim, o velho império turco acabou retalhado. Em seu lugar “brotaram” inúmeros países dotados de fronteiras artificiais, governados por líderes fantoches e controlados pelas potências. Síria, Líbano, Iraque, Turquia e outros países da região nasceram assim: fundados nos jardins de Londres, como teria dito W. Churchill sobre a criação da Jordânia.
Lideranças árabes, cooptadas por políticos, militares e empresários da França e da Grã-Bretanha, acabaram assumindo o controle, leia-se o poder, de novos Estados fundados de acordo com os interesses das grandes potências e de suas burguesias. Quanto à formatação política estabelecida para esses novos Estados o imperialismo inovava: ao invés da velha forma colonial, dominação ou controle direto sobre uma vasta área, isto é um império, foram organizados mandatos e protetorados sob tutelas francesas ou britânicas.
O domínio franco-britânico definhou depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), desde então, já livres das “bobagens” propostas por W. Wilson, os Estados Unidos da América vêm cumprindo o papel de dominador naquela rica e complexa região do planeta.
Esta é uma parte da História. Há outras, muitas, infinitas Histórias contadas e recontadas. Os arquivos, textos e documentos estão disponíveis nos mais distantes recantos do mundo oriental e ocidental. Porém, diariamente somos obrigados a engolir e tragar análises e opiniões pueris e inconsistentes no plano histórico acerca das questões que envolvem os países do Oriente Médio. Nenhuma palavra é dedicada a situação dos curdos, por exemplo, à época daquela partilha imperialista. Ninguém questiona o isolamento desse povo que habita uma porção daquelas terras a séculos. Hoje eles são mais de 25 milhões de pessoas perseguidas em três daqueles Estados artificiais criados pelo imperialismo ocidental. Aos curdos foi negado o direito de possuírem um país, já que suas terras, o Curdistão, são ricas em petróleo e água (nascentes dos rios Tigre e Eufrates).
Ocorre que colocar em discussão a questão dos curdos poderia, além de ferir interesses econômicos petrolíferos e aqüíferos, levar ao despertar de outras nações cujos anseios nacionalistas estão em permanente estado de latência, casos dos Saarauis do Saara Ocidental, dos armênios do Nagorno-Karabakh, dos turcos-cipriotas da ilha de Chipre, dos albaneses do Kosovo, dos chechenos da Rússia, e de muitos outros povos despatriados do mundo. Que dizer dos palestinos? E daqueles povos que reivindicam autonomia dentro dos territórios de antigas metrópoles como os bascos e católicos irlandeses? Bem, mas isso não tem nada a ver com o imperialismo...
Escrito por Fernando Gelfuso às 20h48
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
Meu perfil
BRASIL, Sudeste, RIBEIRAO PRETO, JARDIM PAULISTA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Música, Esporte Outro -
|
|