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EDUCAÇÃO e VESTIBULAR
UTOPIA
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".
(Eduardo Galeano; jornalista e escritor uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina, uma entre uma vastidão de grandes obras)
Escrito por Fernando Gelfuso às 12h12
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UM ESCLARECIMENTO
UM ESCLARECIMENTO
Sinto-me constrangido quando algum amigo pede para que eu escreva, ou manifeste minha opinião sobre determinado assunto. Isso ocorre com certa freqüência nos meus locais de trabalho, nos encontros eventuais, e tem ocorrido também neste espaço. Em verdade fico mais preocupado que constrangido. É claro que considero essas manifestações a mostra mais gratificante do reconhecimento por meu trabalho, é o estímulo maior para qualquer profissional da educação. Agradeço sempre por isso. Mas, porque então ficar preocupado e não lisonjeado, feliz ou orgulhoso? Alguém poderia ainda inquirir: não é legal ser tido ou visto como referência?
Claro que acho isso muito legal. Gosto de opinar e tenho feito isso neste espaço. Mas, como educador, receio estar contribuindo para intensificar ou perpetuar um estado de acomodação intelectual que afeta uma parcela importante da nossa juventude. Sempre acreditei em outros meios para formar jovens intelectualmente mais estruturados e críticos. O caminho que leva ao conhecimento reflexivo e crítico é mais sinuoso e pedregoso. Considero que o educador não tem o direito de viciar o educando a ingerir opiniões prontas. Acho que assim procedendo corremos – nós educadores em particular e a sociedade em geral – o risco de acabar cumprindo o mesmo papel da televisão: impedir a livre reflexão, difundir a ditadura do pensamento único, formar uma massa de reprodutores de idéias prontas e massificar a informação. Quando me é solicitado um parecer sobre algum assunto temo estar tirando do jovem a possibilidade de produzir um juízo próprio. Preocupa-me a possibilidade dos jovens tornarem-se reprodutores de pontos de vista e deliberações alheias. Indago então: será que não estou no fim das contas reproduzindo isso?
Ocorre ainda que, sobre determinados temas caminho na penumbra, não sou versado em todos os assuntos da História, nem tampouco domino os inumeráveis conceitos das Ciências Humanas. Apenas transito no essencial. Nado o nado livre, às vezes vou ao estilo “cachorrinho”, é mais fácil. Faço e sei o trivial. Navego como um pescador que o faz com o intuito de pescar uma boa pesca. Pode parecer presunção demais querer caminhar, transitar ou nadar em todos os lugares e águas. Estejam certos de que não é este o meu caso. Certa vez ouvi do sociólogo Maurício Tragtemberg, um dos maiores intelectuais brasileiros, que o conhecimento pleno da Ciência Social é algo impossível a alguém com menos de 90 anos de leitura. Como eu estou longe disso... O que sei ensino, ou procuro, com os meus parcos conhecimentos, contribuir para a formação de indivíduos dessemelhantes, isto é, seres humanos que trilhem por caminhos distintos daqueles que nos são indicados pelos gerentes das agências internacionais de massificação e alienação política e cultural.
Digo isso também porque me incomoda a possibilidade de vir a ser considerado um portador de verdades, ou mesmo de ser tido e visto como uma espécie de timoneiro, condutor ou guia de alguém. Não quero isso. Não me agrada a idéia. Gosto de externar minhas opiniões e mais ainda de vê-las em discussão. Sentir-me-ia imensamente feliz se cada uma das minhas idéias e opiniões produzisse outras novas, mais consistentes e elaboradas.
Confio cegamente na capacidade de produção intelectual dos seres humanos, de todos indistintamente. Então prefiro mostrar os caminhos a direcionar as pessoas para os meus. Conhecendo os caminhos cada um poderá seguir aquele que julgar ideal.
Claro que minhas opiniões e meus ideais acabam implícitos naquilo que digo e escrevo; não há ciência neutra nem homem apolítico; mas prefiro que cada um dos ouvintes e leitores conclua por eles mesmos a essência do que exponho.
Assim, sigo falando e escrevendo sobre História e Cotidiano, explanando alguns temas e conceitos das Ciências Sociais ou manifestando minhas opiniões, externando meus ideais; mas que tudo sirva à reflexão e à produção de novos juízos.
Escrito por Fernando Gelfuso às 23h53
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MÚSICAS
MÚSICAS
Quase sorrateiro o blog tirou férias, saiu sem pedir licença e sem comunicar aos amigos. Concordo que ficou feio, por isso, peço desculpas. Vou tentar redimir o blog e seu autor postando letras de algumas canções que considero verdadeiras obras-primas da MPB. São algumas das minhas preferidas.
Na verdade, além de presentear os amigos visitantes (maneira reles de se desculpar), busco ganhar mais alguns dias de descanso, já que copiar a letra de uma canção é bem mais fácil do que produzir um texto.
Para aqueles que não conhecem as canções sugiro que busquem um meio de ouvi-las. São lindas. A Música Popular Brasileira é tão rica que se torna quase impossível relacionar as melhores. As que seguem estão certamente entre as 20 mais encantadoras, claro que na minha modesta opinião.
De Primeira Grandeza e Sobre Todas as Coisas, por exemplo, estão entre as mais geniais obras românticas produzidas no século passado. Viola Enluarada foi um dos mais belos hinos da geração deste que escreve. Poucos textos literários e jornalísticos retrataram com tanta clareza a realidade do preconceito e da exclusão vivenciada pelos nordestinos brasileiros nos grandes centros do sudeste como na letra da música Baihuno – de fato os baianos e outros nordestinos, em sua esmagadora maioria trabalhando na Construção civil, são vistos por alguns sulistas como aqueles bárbaros invasores da Europa. Já A Estrada e o Violeiro pode ser considerada uma canção da vida, para a vida, de todas as vidas, para todas as vidas...
Curtam os poemas e busquem ouvir as canções. Vale a pena.
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h06
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Sobre Todas as Coisas
Sobre Todas as Coisas
Chico Buarque, Zizi Possi e outros artistas gravaram.
Composição: Edu Lobo/Chico Buarque de Hollanda
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus fica até zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado para adorar o Criador
E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor
Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador
Ou será que Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h04
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De Primeira Grandeza
De Primeira Grandeza
Belchior cantou.
Composição: BELCHIOR
Quando eu estou sob as luzes não tenho medo de nada
e a face oculta da lua que era minha aparece iluminada
sou o que escondo sendo uma mulher igual a tua namorada
mas o que vês, quando me
mostro estrela de grandeza inesperada.
Musa, deusa, mulher cantora e bailarina
a força masculina atrai não é só ilusão
a mais que a historia fez e faz o homem se destina
a ser maior que Deus por ser filho de Adão
anjo, herói, prometeu, poeta e dançarino
a glória feminina existe e não se fez em vão
e se destina a vir ao gozo a mais do que imagina
o louco que pensou a vida sem paixão.
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h04
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Baihuno
Baihuno
Só Belchior interpretou em um disco de produção independente.
Composição: Belchior/Francisco Casaverde
Já que o tempo fez-te a graça de visitar o Norte, leva notícias de mim.
Diz àqueles da província que já me viste a perigo: na cidade grande enfim.
Conta aos amigos doutores que abandonei a escola pra cantar, em cabaré, baiões
bárbaros baihunos, com a mesma dura ternura que aprendi na estrada e em Che.
Ah! metrópole violenta que exterminas miseráveis, negros párias, teus meninos!
Mais uma estação no inferno, Babilônia, Dante eterno! há Minas? Outros destinos?
Conta àquela namorada que vai ser sempre o meu céu, mesmo que eu virar estrela.
(O par de botas de couro combina com o meu cabelo, já tão grande quanto ao dela.)
E, no que toca à, família, dá-lhe um abraço apertado, que a todos possa abraçar.
Fora-da-lei, procurado me convém família unida contra quem me rebelar.
Cai o Muro de Berlim - cai sobre ti, sobre mim, nova ordem mundial.
Camisa-de-força-de-Vênus... Ah! quem compraria, ao menos, o velho gozo animal?
Já que o tempo fez-te a graça de visitares o Norte, leva noticias de mim.
O cara caiu na vida, ao ver seu mundo tão certo, assim tão perto do fim.
Dá flôres ao comandante que um dia te dispensou do serviço militar.
Ah! quem precisa de heróis: feras que matam na guerra e choram na volta ao lar.
Gênios-do-mal tropicais, poderosos bestiais, vergonha da Mãe Gentil.
Fosse eu um Chico, Gil, um Caetano, e cantaria, todo ufano: "Os Anais Da Guerra Civil"
Ao pastor de minha igreja reza que essa ovelha jamais vai ficar branquinha.
- Não vendi a alma ao diabo... O diabo viu mau negócio nisso de comprar a minha.
Se meu pai, se minha mãe se perguntarem, sem jeito - Onde foi que a gente errou?
Elogiando a loucura, e pondo-me entre os sonhadores, diz que o show já começou.
Trogloditas, traficantes, neonazistas, farsante: barbárie, devastação.
O rinoceronte é mais decente do que essa gente demente do Ocidente tão cristão.
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h00
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Construção
Construção
O Chico canta melhor o que o Chico faz.
Composição: Chico Buarque
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
(Texto "tesourado" pelo blog UOL)
Escrito por Fernando Gelfuso às 23h59
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Construção
Construção
(Continuação)
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado
Escrito por Fernando Gelfuso às 23h58
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A Estrada e o Violeiro
A Estrada e o Violeiro
Nara Leão cantou divinamente.
Composição: (Sidney Miller)
Sou violeiro caminhando só, por uma estrada caminhando só
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Parece um cordão sem ponta, pelo chão desenrolado
Rasgando tudo que encontra, a terra de lado a lado
Estrada de Sul a Norte, eu que passo, penso e peço
Notícias de toda sorte, de dias que eu não alcanço
De noites que eu desconheço, de amor, de vida e de morte
Eu que já corri o mundo cavalgando a terra nua
Tenho o peito mais profundo e a visão maior que a sua
Muitas coisas tenho visto nos lugares onde eu passo
Mas cantando agora insisto neste aviso que ora faço
Não existe um só compasso pra contar o que eu assisto
Trago comigo uma viola só, para dizer uma palavra só
Para cantar o meu caminho só, porque sozinho vou à pé e pó
Guarde sempre na lembrança que esta estrada não é sua
Sua vista pouco alcança, mas a terra continua
Segue em frente, violeiro, que eu lhe dou a garantia
De que alguém passou primeiro na procura da alegria
Pois quem anda noite e dia sempre encontra um companheiro
Minha estrada, meu caminho, me responda de repente
Se eu aqui não vou sozinho, quem vai lá na minha frente?
Tanta gente, tão ligeira, que eu até perdi a conta
Mas lhe afirmo, violeiro, fora a dor que a dor não conta
Fora a morte quando encontra, vai na frente um povo inteiro
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Se meu destino é ter um rumo só, choro em meu pranto é pau, é pedra, é pó
Se esse rumo assim foi feito, sem aprumo e sem destino
Saio fora desse leito, desafio e desafino
Mudo a sorte do meu canto, mudo o Norte dessa estrada
Em meu povo não há santo, não há força, não há forte
Não há morte, não há nada que me faça sofrer tanto
Vai, violeiro, me leva pra outro lugar
Eu também quero um dia poder levar
Toda gente que virá
Caminhando, procurando
Na certeza de encontrar
Escrito por Fernando Gelfuso às 23h48
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Viola Enluarada
Viola Enluarada
Marcos Valle gritou liberdade!!!
Composição: Marcos e Paulo Sérgio Valle
A mão que toca um violão
Se for preciso faz a guerra,
Mata o mundo, fere a terra.
A voz que canta uma canção
Se for preciso canta um hino,
Louva à morte.
Viola em noite enluarada
No sertão é como espada,
Esperança de vingança.
O mesmo pé que dança um samba
Se preciso vai à luta,
Capoeira.
Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira,
Prá defendê-la se levanta
E grita: Eu vou!
Mão, violão, canção e espada
E viola enluarada
Pelo campo e cidade,
Porta bandeira, capoeira,
Desfilando vão cantando
Liberdade.
Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira,
Prá defendê-la se levanta
E grita: Eu vou!
Porta bandeira, capoeira,
Desfilando vão cantando
Liberdade.
Liberdade, liberdade, liberdade...
Escrito por Fernando Gelfuso às 23h47
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BRASIL, Sudeste, RIBEIRAO PRETO, JARDIM PAULISTA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Música, Esporte Outro -
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