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BRASIL
GOLPE NO MARANHÃO
GOLPE NO MARANHÃO Em meio à avalanche de escândalos e desmandos histericamente denunciados todos os dias pela grande imprensa, parece ter-nos passado quase que despercebido o golpe baixo, daqueles mais deslavados, descabidos e mesquinhos, típicos de uma “república bananeira”, desfechado no dia 16 de abril último pelo TSE contra o governador do Maranhão jackson Lago. Tão mais escandaloso acabou sendo o dito golpe porque foi desferido em favor de uma representante da oligarquia Sarney, a senhora Roseana Sarney, aquela do marido... dos sacos de dinheiro..., das notas guardadas no cofre de casa, etc. Os jornalões noticiaram aquele absurdo como se tratasse de um evento normal e de uma decisão legitima, legal e própria de qualquer democracia, veredicto digno de uma república moderna e respeitadora de preceitos constitucionais, afinal, a decisão coube aos nossos juizes, digníssimos representantes da legalidade e da moralidade nacional. Um dos jornalões escreveu que “Durante o julgamento, os ministros lembraram as acusações feitas contra o governador cassado. O governador foi acusado de abuso de poder político. A maioria dos ministros concluiu que na campanha de 2006 ocorreram abusos que beneficiaram a candidatura dos dois (governador e vice), que eram aliados do então governador, José Reinaldo, e prejudicaram Roseana Sarney.” Mas, se houve crime eleitoral, abuso de poder ou outra contravenção eleitoral qualquer, não seria mais sensato anular as eleições convocando um novo pleito? Ou seja, “para derrubar Lago e ao mesmo tempo evitar a convocação de novas eleições no Maranhão, a justiça eleitoral brasileira – que grande piada, que escárnio colossal, que falta do menor senso de dignidade! – inventou um procedimento ‘ishperrrrto’: cassou os votos apenas dos eleitores de Jackson Lago, mantendo todos os outros válidos”, assim escreveu o jornalista José arbex. Sei não, acho que estou queimando meus ATPs de bobeira. Não devo me escandalizar com isso, afinal este é o país descoberto acidentalmente por Cabral, esta é a terra dos “homens bons”, das “guerras justas”, das “eleições do cacete”, dos “currais eleitorais”. Acho melhor trabalhar um pouco e tentar contribuir para melhorar só um pouquinho a qualidade da educação no país.
Escrito por Fernando Gelfuso às 17h24
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PROTÓGENES QUEIROZ
PROTÓGENES QUEIROZ
Moço de nome dificil, sô!!!
Pois esse delegado de nome dificil está conquistando o respeito de uma parcela considerável da sociedade brasileira. Se esta parte não é a maioria, ela é certamente aquela que representa a vertente mais digna da nação. Assim, este blog junta-se a outros como o do jornalista Paulo Henrique Amorin (http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=437) para pedir o apoio de todos os amigos ao delegado Protógenes Queiroz.
Acessem o endereço www.blogdoprotogenes.com.br e manifestem seu apoio ao patriota Protógenes. Mais do que colocar Daniel Dantas e sua quadrilha na cadeia, é preciso que se constitua uma frente nacional pela dignidade, que se mobilize a sociedade brasileira para que ela cubra com o manto do decoro as indecorosas casas do judiciário, do legislativo e do executivo. Se nada mais acontecer neste caso, o Dr Protógenes já terá contribuído enormemente para desmascarar um grande número de membros do judiciário que de muito tempo vem mantendo ligações promiscuas com a fração mais podre dos outros dois poderes do Estado brasileiro.
Parabéns e muita força para o delegado Protógenes.
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h38
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PARA A HISTÓRIA
Guardem bem esta foto. Ela ilustraria o capítulo mais importante de um livro que tratasse do tema corrupção na História.
| Folha Imagem |
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Escrito por Fernando Gelfuso às 18h21
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A “Nova Roma” e os migrantes
A “Nova Roma” e os migrantes
Nas últimas vezes em que se dispôs a escrever, claro, apaixonadamente, como sempre, sobre o povo brasileiro, o antropólogo Darcy Ribeiro, registrou que nós, os brasileiros, somos um “povo síntese”, mesclado na carne e na alma, feliz e orgulhoso por sê-lo, já que por nós a mestiçagem jamais foi vista como crime ou pecado. Segundo o mestre Darcy, fizemo-nos como uma civilização “desindianizando o índio, desafricanizando o negro, deseuropeizando o europeu e fundindo suas heranças culturais”. Constituímos, segundo ele, uma “Nova Roma”, civilização cosmopolita, múltipla, assoberbada, com a marca da diversidade, única, diversa, múltipla; mas única, absolutamente nova em suas compleições físicas ou comportamentais.
Mesmo nascendo das ações tresloucadas de homens que se julgavam portadores de uma missão divina, europeus que acreditavam serem dotados de uma visão profética daquilo que poderia suceder aos pretos e vermelhos selvagens e infiéis, fizemo-nos uma civilização de novo tipo, tolerante e flexível nas suas ações e gestos, capaz de assimilar convivências e inovações com a mesma facilidade com que organizamos uma festa. Acolhemos minorias expatriadas e perseguidas, patriotas violentados em suas próprias nações, refugiados de guerras fratricidas e imperialistas, trabalhadores excluídos dos mercados em suas próprias nações, mulheres discriminadas e tatuadas pelo ferrete da desonra. Recebemos povos dos mais diferentes lugares da terra com suas crenças, valores e hábitos que, não só aceitamos como assimilamos e partilhamos. Cometemos menos falhas com os estrangeiros que por aqui aportam do que com os nossos irmãos ameríndios, o que é uma lástima.
Mas, porque lembrarmos hoje do professor Darcy Ribeiro?
Acontece que os jornais estão noticiando que o governo espanhol estuda a possibilidade de pagar – não sei se a expressão utilizada foi pagar ou indenizar – os brasileiros e outros imigrantes LEGAIS que vivem na terra de Miguel de Cervantes para que eles retornem aos seus países de origem. Alguém chegou a mencionar um valor: 10.000 euros, quantia considerada suficiente para que um marroquino, por exemplo, possa começar um negócio em seu país.
Penso que nós, brasileiros, sentir-nos-íamos envergonhados e entristecidos se nosso governo, qualquer que fosse a sua coloração ideológica, fizesse “convite” semelhante aos nossos amigos, vizinhos, colegas de trabalho ou parentes espanhóis.
Claro que este sentimento não nos tocaria tanto se fossem “convidados” à partida o banco Santander, a Telefônica, a Mapfre, as editoras Planeta e Santillana, e outras empresas de proprietários espanhóis.Se tal acontecesse, talvez organizaríamos uma festa semelhante às que estamos assistindo para celebrar o centenário da chegada dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil.
E por falar nisso, abraços aos meus amigos Gonzales, Miguel, Hernandes, Diego; e também para o Sérgio Maruno, Douglas, Hélio, Chico, Daniel, ... Falamos depois da saga da imigração japonesa.
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h26
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COMO DIZIA CELSO FURTADO...
COMO DIZIA CELSO FURTADO...
Contestado por grandes profetas do mercado ao longo das três últimas décadas, o economista Celso Furtado volta a ser lembrado em artigo assinado pelo mestre Paul Singer, também economista e titular da Universidade de São Paulo (USP).
Em texto publicado pela Folha de São Paulo no último dia 30, o professor Singer lembra que Furtado já antevia, em 1974, a atual azáfama provocada pela escassez de alimentos e de combustíveis nos mais diferentes pontos do mundo. A tese, exposta no livro “O Mito do Desenvolvimento Econômico”, parte do princípio de que não haveria no planeta recursos suficientes para que muitos países pobres atingissem níveis de consumo sequer próximos daqueles conquistados pelos povos do chamado “mundo desenvolvido”.
Parabéns ao professor Paul Singer pela clareza da análise e, principalmente, por sua atitude digna de um educador, a de fazer voltar à memória da intelectualidade brasileira o pensamento daquele que deve ser considerado um dos nossos mais brilhantes intelectuais, o imortal Celso Furtado.
O Blog pede licença à Folha de São Paulo para publicar o texto do professor Paul Singer, que pode ser acessado no link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz3005200808.htm
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O futuro chegou: crise alimentar e energética
PAUL SINGER
Nunca em tempos de paz houve pressões inflacionárias tão violentas a partir do encarecimento de bens essenciais
O PREÇO do petróleo está batendo recordes quase diariamente. No momento, ele gira ao redor de 130 dólares o barril. O índice dos preços de alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) foi, em média, 127 em 2006 e 157 em 2007, subindo para 220 em março de 2008 (1998-2000 = 100). Nunca em tempos de paz houve pressões inflacionárias tão violentas a partir do encarecimento de bens essenciais. Eis a grande novidade dessa dupla crise que se deve às mesmas causas: a redução da pobreza em grandes países periféricos, como a China, a Índia e o Brasil (além de outros), que expandiu fortemente a demanda por derivados de petróleo e por alimentos "nobres" -carne e laticínios, cuja produção exige muito mais trabalho humano, energia e recursos naturais não renováveis, como terra e água. A elevação dos preços do petróleo e da comida deveria provocar um aumento de sua produção, pois seu encarecimento a torna mais lucrativa. Mas a elevação da produção alimentar esbarra na disponibilidade de terra e água, limitada pela sua poluição pelos elementos químicos utilizados pelos agricultores. O mesmo vale para o aumento da produção de petróleo, limitado pelas reservas exploráveis. Estamos nos defrontando com um cenário que Celso Furtado previu em 1974, quando escreveu "O Mito do Desenvolvimento Econômico". Ele sustentava que era um mito esperar que o desenvolvimento econômico dos países do Terceiro Mundo lhes permitiria alcançar o nível de vida usufruído apenas pelos povos do Primeiro Mundo, porque não haveria recursos naturais suficientes para que isso pudesse acontecer. Quase um terço de século decorreu desde então, e o que parecia na época um exagerado temor malthusiano tornou-se consensual, sobretudo desde que se comprovou que o clima da Terra está aquecendo, com conseqüências danosas para os recursos naturais do planeta. A nova classe média nos países chamados de emergentes passou a ter dinheiro para alcançar o padrão de vida de sua congênere do Primeiro Mundo. Essa mudança seria desejável se ela não impactasse desfavoravelmente sobre a grande massa que continua pobre. A carestia da comida, causada pelo aumento da demanda dos ex-pobres, empobrece ainda mais os que já gastam a maior parte do que ganham para alimentar a família. Os cereais que lhes mataria a fome tendem agora a ser dados aos animais cujos derivados alcançam preços cada vez mais atraentes. O funcionamento do mercado mundial de alimentos produz "naturalmente" esses efeitos perversos. Motins da fome estouram em cada vez mais países e, de acordo com a FAO, em 37, dos quais 21 africanos, há crise alimentar. Premidos pelo desespero dos famintos, cada vez mais governos (inclusive o brasileiro) tratam de restringir a exportação de alimentos básicos para garantir o abastecimento do mercado interno. O que naturalmente agrava a situação dos pobres nos países que dependem de alimentos importados. A ONU, alarmada com a gravidade da situação, está solicitando das nações mais ricas recursos para impedir que a fome se alastre pelo mundo, pondo em risco não só o combate à pobreza mas também a paz mundial. Governos terão de adotar medidas de emergência para garantir um abastecimento alimentar mínimo a todos: estatizar os estoques de alimentos para evitar que sejam açambarcados pelos que têm dinheiro para formar estoques privados. E racionar a sua venda, por preços que os mais pobres possam pagar; eventualmente, taxar mais os alimentos derivados de animais para possibilitar o aumento da produção dos alimentos vegetais, indispensáveis à nutrição do conjunto da população; taxar também os derivados de petróleo, para reduzir a utilização do transporte individual e aumentar a do transporte coletivo. A crise alimentar e energética poderá talvez ser contida por medidas como essas, mas sua resolução exigirá mudanças mais profundas. Os padrões de consumo terão de ser acomodados à real disponibilidade de recursos naturais, e esta deverá ser alargada por mais investimentos no aumento da produção agrícola sustentável do ponto de vista social e ambiental. As crises energética e da mudança climática terão de ser resolvidas pelo desenvolvimento de fontes renováveis de energia limpa, única maneira de acabar com as emissões de gases resultantes da queima de combustíveis fósseis. A crise alimentar não pode deixar de limitar, em alguma medida, a produção de agrocombustíveis, de modo que o desenvolvimento de outras fontes de energia -solar, eólica, hidráulica- terá de receber prioridade.
PAUL SINGER, 76, economista, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP, é secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi secretário municipal do Planejamento de São Paulo (gestão Luiza Erundina).
Escrito por Fernando Gelfuso às 14h49
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GABEIRA OUTRA VEZ...
GABEIRA OUTRA VEZ...
Há brasileiros indignados com a recente declaração do deputado Fernando Gabeira no calor das discussões sobre o mega aumento pretendido pelos parlamentares brasileiros. Disse o arauto da democracia: "Se acabarmos com a verba indenizatória, vamos ficar reduzidos ao salário de 12 mil reais, e não dá para ficar só com isso".
Nem acho que 12 mil reais seja assim tanto dinheiro para um "trabalhador" cujas funções exigem gastos de manutenção elevadíssimos; mas partindo isso do ex-guerrilheiro, que passou o ano de 2006 a achincalhar os seus pares envolvidos nas falcatruas dos inúmeros escândos de corrupção, concordo que é estranho. Passo então a entender a indignação que toma conta daqueles brasileiros.
Entendo a indignação de todos, mas não me surpreendo nem um pouco. Isso porque ainda não me esqueci de uma mensagem que circulou pela internet em meados do mês de setembro deste ano, na mesma semana em que o ilustre democrata era exibido pela Editora Abril na capa da revista Veja. Ali sim fiquei estarrecido quando lí o texto intitulado "FLORES, FLORES PARA LOS MUERTOS" e assinado por Fernando Gabeira.
Eis um trecho da obra: "... Comparar a ditadura com o governo Lula. Uma neutralizou o Congresso pelo medo; o outro, pelo pagamento de mesada. Ditadura e governo Lula compartilham o mesmo desprezo pela democracia, ambos violentaram a democracia reduzindo o Parlamento a uma ruína moral..."
Considerei na época, como ainda hoje considero, que o salto foi bem grande: de perseguido a defensor da ditadura militar, em comparação com o atual governo, que demonstrou, é verdade, inúmeros falhas, desde corrupção ao desprezo pelas promessas de campanha passando pelo desrespeito ao histórico projeto socialista, mas nunca mostrou-se ditatorial.
Aliás, penso que o Gabeira não tem muita autoridade para julgar o regime militar. Ele não estava aqui. Ele nunca teve que enfrentar a truculência dos militares nos anos 1970, nem a ira do deputado Erasmo Dias contra os "terroristas". O Gabeira não estava aqui quando o operário Manuel Fiel Filho foi assassinado. Ele não foi ao culto em homenagem ao Herzog. Ele não tem esse parâmetro para comparar aquele momento político com o atual. Ele estava na democrática Europa desfilando suas tangas de crochê e curtindo o esplendor da revolução juvenil francesa regada a sexo, drogas e rock in roll.
Apontar falhas no governo Lula é um dever do deputado Fernando Gabeira, mas posar de baluarte da democracia e considerar tudo o mais ditadura não, isso é fazer o jogo dos setores mais retrógrados da sociedade brasileira.
Assim como Heloisa Helena ele também deve dar ainda muita audiência para a Hebe Camargo e para o Jô Soares, além, é claro, de continuar contribuindo para aumentar a vendagem das revistas da Abril. Como disse o amigo Renato Leone sobre o Gabeira na capa de Veja: "eles se merecem".
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h05
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