A GUERRA DO CHACO
Republico texto que escreví em 2007 tratando da Guerra do Chaco. Atendo assim pedidos de alguns amigos que, como eu, ficaram indignados com a prova da UFSCAR, notadamente com a questão que tratava deste tema.
A GUERRA DO CHACO:
A norte-americana Standard Oil de Nova Jersey e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell são duas das mais poderosas empresas do mundo no ramo industrial. Na década de 1920 esses dois gigantescos conglomerados do petróleo e derivados (hidrocarbonetos) disputavam o controle de uma região latino-americana localizada na América Andina. Os sócios temporários? Bolívia e Paraguai. Um novo enredo para uma velha história, e outra guerra interna para vencedores externos.
Dois países pobres e com antecedentes de ultrajes impostos por vizinhos e pelo imperialismo das potências internacionais foram levados a uma guerra que ficou conhecida como GUERRA DO CHACO (1932-1935).
A região do Chaco possui uma área de aproximadamente 200.000 quilômetros quadrados e está situada entre os rios Piecomayo e Paraguai. Na primeira metade do século XX, a Standard Oil e, evidentemente, outras multinacionais do setor, acreditavam na existência de reservas de petróleo na região. Além disso, era interesse da gigante norte-americana construir um oleoduto que ligasse a Bolívia até o rio Paraguai, rasgando o Chaco paraguaio. Para isso a empresa financiou as tropas bolivianas, enquanto que a sua concorrente Royal Dutch Shell armava os soldados paraguaios.
Mas, como no mundo do capital concorrência não significa inimizade, a disputa de mercados pôde tranquilamente servir de pretexto para uma guerra necessária. Já que ambas faziam parte do mesmo cartel, quem venceu a guerra acabou perdendo. O Paraguai, vitorioso no conflito, teve de assistir imóvel as negociações em que a empresa do grupo Rockefeller (Standard Oil) recebeu da Bolívia os direitos de exploração da área que havia sido disputada na guerra. Libras e dólares estiveram também envolvidos nas negociações.
Entre os 140 mil soldados paraguaios que lutaram pela causa anglo-holandesa, 36 mil acabaram mortos; enquanto que do lado boliviano morreram 57 mil dos 250 mil combatentes. Quase 100 mil latino-americanos deram a vida pela causa alheia.
Muitos latino-americanos decentes gostariam que os críticos de Hugo Chaves e Evo Morales emitissem uma opinião a respeito das histórias dessas guerras e, principalmente, dos seus resultados políticos, econômicos e humanos.
Escrito por Fernando Gelfuso às 13h48
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