GOLPE NO MARANHÃO
GOLPE NO MARANHÃO Em meio à avalanche de escândalos e desmandos histericamente denunciados todos os dias pela grande imprensa, parece ter-nos passado quase que despercebido o golpe baixo, daqueles mais deslavados, descabidos e mesquinhos, típicos de uma “república bananeira”, desfechado no dia 16 de abril último pelo TSE contra o governador do Maranhão jackson Lago. Tão mais escandaloso acabou sendo o dito golpe porque foi desferido em favor de uma representante da oligarquia Sarney, a senhora Roseana Sarney, aquela do marido... dos sacos de dinheiro..., das notas guardadas no cofre de casa, etc. Os jornalões noticiaram aquele absurdo como se tratasse de um evento normal e de uma decisão legitima, legal e própria de qualquer democracia, veredicto digno de uma república moderna e respeitadora de preceitos constitucionais, afinal, a decisão coube aos nossos juizes, digníssimos representantes da legalidade e da moralidade nacional. Um dos jornalões escreveu que “Durante o julgamento, os ministros lembraram as acusações feitas contra o governador cassado. O governador foi acusado de abuso de poder político. A maioria dos ministros concluiu que na campanha de 2006 ocorreram abusos que beneficiaram a candidatura dos dois (governador e vice), que eram aliados do então governador, José Reinaldo, e prejudicaram Roseana Sarney.” Mas, se houve crime eleitoral, abuso de poder ou outra contravenção eleitoral qualquer, não seria mais sensato anular as eleições convocando um novo pleito? Ou seja, “para derrubar Lago e ao mesmo tempo evitar a convocação de novas eleições no Maranhão, a justiça eleitoral brasileira – que grande piada, que escárnio colossal, que falta do menor senso de dignidade! – inventou um procedimento ‘ishperrrrto’: cassou os votos apenas dos eleitores de Jackson Lago, mantendo todos os outros válidos”, assim escreveu o jornalista José arbex. Sei não, acho que estou queimando meus ATPs de bobeira. Não devo me escandalizar com isso, afinal este é o país descoberto acidentalmente por Cabral, esta é a terra dos “homens bons”, das “guerras justas”, das “eleições do cacete”, dos “currais eleitorais”. Acho melhor trabalhar um pouco e tentar contribuir para melhorar só um pouquinho a qualidade da educação no país.
Categoria: BRASIL
Escrito por Fernando Gelfuso às 17h24
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A GUERRA DO CHACO
Republico texto que escreví em 2007 tratando da Guerra do Chaco. Atendo assim pedidos de alguns amigos que, como eu, ficaram indignados com a prova da UFSCAR, notadamente com a questão que tratava deste tema.
A GUERRA DO CHACO:
A norte-americana Standard Oil de Nova Jersey e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell são duas das mais poderosas empresas do mundo no ramo industrial. Na década de 1920 esses dois gigantescos conglomerados do petróleo e derivados (hidrocarbonetos) disputavam o controle de uma região latino-americana localizada na América Andina. Os sócios temporários? Bolívia e Paraguai. Um novo enredo para uma velha história, e outra guerra interna para vencedores externos.
Dois países pobres e com antecedentes de ultrajes impostos por vizinhos e pelo imperialismo das potências internacionais foram levados a uma guerra que ficou conhecida como GUERRA DO CHACO (1932-1935).
A região do Chaco possui uma área de aproximadamente 200.000 quilômetros quadrados e está situada entre os rios Piecomayo e Paraguai. Na primeira metade do século XX, a Standard Oil e, evidentemente, outras multinacionais do setor, acreditavam na existência de reservas de petróleo na região. Além disso, era interesse da gigante norte-americana construir um oleoduto que ligasse a Bolívia até o rio Paraguai, rasgando o Chaco paraguaio. Para isso a empresa financiou as tropas bolivianas, enquanto que a sua concorrente Royal Dutch Shell armava os soldados paraguaios.
Mas, como no mundo do capital concorrência não significa inimizade, a disputa de mercados pôde tranquilamente servir de pretexto para uma guerra necessária. Já que ambas faziam parte do mesmo cartel, quem venceu a guerra acabou perdendo. O Paraguai, vitorioso no conflito, teve de assistir imóvel as negociações em que a empresa do grupo Rockefeller (Standard Oil) recebeu da Bolívia os direitos de exploração da área que havia sido disputada na guerra. Libras e dólares estiveram também envolvidos nas negociações.
Entre os 140 mil soldados paraguaios que lutaram pela causa anglo-holandesa, 36 mil acabaram mortos; enquanto que do lado boliviano morreram 57 mil dos 250 mil combatentes. Quase 100 mil latino-americanos deram a vida pela causa alheia.
Muitos latino-americanos decentes gostariam que os críticos de Hugo Chaves e Evo Morales emitissem uma opinião a respeito das histórias dessas guerras e, principalmente, dos seus resultados políticos, econômicos e humanos.
Escrito por Fernando Gelfuso às 13h48
Categoria: AMÉRICA
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h13
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MASSACRE DOS CAMPONESES
Clicando no link http://www.aporrea.org/internacionales/n120782.html os amigos poderão assistir video que mostra o massacre de camponeses bolivianos em El Porvenir, no último dia 11 de setembro. A criminosa ação compõe o cenário de conflitos deflagrados pela oposição conservadora que insiste em atentar contra o governo do presidente Evo Morales.
O vídeo nos faz refletir sobre a diferença, ou semelhança que pode existir entre as atuais oligarquias com as velhas aristocracias crioullas do período colonial, ou ainda com as práticas dos primeiros conquistadores espanhóis.
Escrito por Fernando Gelfuso às 21h12
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Stagium e Quinteto Violado
Coisas Bonitas deste Brasil
Convido os amigos "blogonautas" a uma visita ao yuotube por meio do endereço http://br.youtube.com/watch?v=DBvwmaBSDe4. Coisa linda de se ver: o Ballet Stagium dançando ao som de Asa Branca executada pelo Quinteto Violado. Vale a pena conferir. Lindo, lindo, lindo!!!
Saudade do Quinteto Violado. Procuro ansioso por um disco do grupo pernambucano chamado "A Feira". Uma obra-prima que me foi subtraída por amigos do alheio que andam à espreita neste mundão de Deus. Quem souber onde posso encontrar...
Categoria: SOCIED, CULT, ESP e MEIO AMBIENT
Escrito por Fernando Gelfuso às 17h48
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A AMÉRICA QUE RENASCE E RESISTE.
A AMÉRICA QUE RENASCE E RESISTE.
O presidente da Bolívia Evo Morales aprovou e publicou, no último dia 28, um decreto que define a data de 07 de dezembro para a realização de um referendo popular a fim de afirmar, pelo voto popular, a aprovação da nova Constituição já aprovada pela Assembléia Nacional Constituinte, no dia 9 de dezembro de 2007. A consulta deverá servir ainda para decidir sobre a supressão de um dos artigos da nova Carta Magna, que trata da extensão máxima das propriedades de terra no país.
Analisar se a Constituição é boa ou ruim, democrática ou autoritária, legítima ou não, são tarefas que cabem à sociedade boliviana, já que a ela foi concedida a nobre e democrática missão. A nós, latino-americanos, irmãos do povo boliviano, cabe divulgar a nobre decisão do “presidente índio” de consultar a sociedade, já que, certamente, a grande imprensa não ira conceder ao fato mais do que algumas poucas linhas de rodapé de página.
“Essa luta histórica por uma refundação da Bolívia, tantas marchas, aportes, debates... sinto que, pela primeira vez na história, espero não equivocar-me, o povo boliviano participa da redação de uma Constituição. Esta nova Carta Magna será submetida ao voto do povo boliviano”, afirmou Evo Morales, ao anunciar o decreto.
É impressionante a capacidade de reconstrução que possuem as nações latino-americanas. As sociedades deste sofrido continente renascem a cada período de autoritarismo, de agressão externa, de ultraje e de humilhação para se reconstruírem com a dignidade própria dos mais fortes. Pena que, na mesma proporção e com a mesma intensidade, as elites nacionais persistam no histórico hábito de considerar o povo, e não as elites das “pátrias mães” como as européias e estadunidenses, os seus grandes e perigosos inimigos.
Força Evo, força irmãos bolivianos!!!
Categoria: AMÉRICA
Escrito por Fernando Gelfuso às 22h07
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PROTÓGENES QUEIROZ
PROTÓGENES QUEIROZ
Moço de nome dificil, sô!!!
Pois esse delegado de nome dificil está conquistando o respeito de uma parcela considerável da sociedade brasileira. Se esta parte não é a maioria, ela é certamente aquela que representa a vertente mais digna da nação. Assim, este blog junta-se a outros como o do jornalista Paulo Henrique Amorin (http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=437) para pedir o apoio de todos os amigos ao delegado Protógenes Queiroz.
Acessem o endereço www.blogdoprotogenes.com.br e manifestem seu apoio ao patriota Protógenes. Mais do que colocar Daniel Dantas e sua quadrilha na cadeia, é preciso que se constitua uma frente nacional pela dignidade, que se mobilize a sociedade brasileira para que ela cubra com o manto do decoro as indecorosas casas do judiciário, do legislativo e do executivo. Se nada mais acontecer neste caso, o Dr Protógenes já terá contribuído enormemente para desmascarar um grande número de membros do judiciário que de muito tempo vem mantendo ligações promiscuas com a fração mais podre dos outros dois poderes do Estado brasileiro.
Parabéns e muita força para o delegado Protógenes.
Categoria: BRASIL
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h38
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Posto desde uma cidade chamada Bezerros, interior de Pernambuco. Estou quase a porta do sertão nordestino. Cá estou, encantado, saboreando a hospitalidade e a doçura do povo desta belíssima região do Brasil. Até agora a única falta foi do meu amigo Jorge que não ligou para o prometido encontro em casas de conversas e cervejas da sua terra natal.
Já passei por Recife e outras cidades deste estado e em todas elas percebe-se a indignação da sociedade diante das falcatruas do "orelhudo" Daniel Dantas, e, mais do que isso, com as ações ou decisões do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.
Sobre o caso Daniel Dantas, leiam a Revista Carta Capital desta semana (16 de julho) e matéria/entrevista publicada no site Terra ( http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3016516-EI12081,00.html). Aliás, este último o melhor trabalho cobertura, dentre o pouco que estou vendo e lendo enquanto curto férias, é o produzido pelo Bob Fernandes. Parabéns!!!
Depois falamos muito, mas muito mais sobre o caso do "Orelhudo".
Escrito por Fernando Gelfuso às 15h44
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PARA A HISTÓRIA
Guardem bem esta foto. Ela ilustraria o capítulo mais importante de um livro que tratasse do tema corrupção na História.
| Folha Imagem |
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Categoria: BRASIL
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h21
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FALA DANTAS!!! FALA.
"Vou detonar! Vou contar tudo. Tudo sobre a corrupção no Judiciário, no Congresso, na imprensa!".
Assim teria sido o desabafo do banqueiro "maior corruptor da história", Daniel Dantas, ao delegado Protógenes Queiróz na noite de quinta-feira, 10 de julho. A certa altura da conversa entre o delegado e o banqueiro, o primeiro diz depois de entregar o relatório das investigações a Dantas: "...sua grande ruína foi a mídia...você perdeu muito tempo com isso, leia esse capítulo sobre a mídia e entenda porque você está preso...sua defesa começa aqui, com todo o respeito que eu tenho ao seu advogado aqui presente...".
O envolvimento de Daneil Dantas com políticos e autoridades do judiciário parece evidente, óbvio até, se analisadas as informações publicadas nos jornalões dos últimos dias. Mas o que cega de irritação qualquer mortal é saber que desde longa data a revista CARTA CAPITAL, que, inclusive, apelidou o banqueiro de "Orelhudo", vinha denunciando o envolvimento de Dantas com setores da grande imprensa, sendo por isso execrada por muita gente que qualificava a revista "do Mino Carta" como manual de esquerdistas inconsequentes.
Uma pena que já na tarde de sexta-feira, enquanto o "Orelhudo" começava mais um depoimento, o seu advogado, Nélio Machado, tenha afirmado que orientou o seu cliente para não dizer nada. Tudo isso está publicado no competente trabalho jornalistico de Bob Fernandes para a revista do Portal Terra.
Parabéns Bob Fernandes e aplausos também para a Revista Carta Capital.
Categoria: MUNDO
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h03
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Morada do "Orelhudo"

(Reprodução do jornal A Tarde, com imagem da praia onde Daniel Dantas passou fim de semana. In: Portal Terra)
Nesse lugar "melancólico" o banqueiro Daniel Dantas possui uma mansão que mais parece uma fortaleza no interior de um paraíso da Mata Atlântica.
Escrito por Fernando Gelfuso às 17h35
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A Guerra do Pacífico
A Guerra do Pacífico
No passado o território da Bolívia era constituído por uma pequena parte daquilo que fora controlado pelo Império Inca (mais de 900 mil quilômetros quadrados). Aquela região da chamada América Andina encerrava as maiores reservas de prata que os olhos europeus já tinham contemplado. Ali estava - ou melhor ainda está - localizada a outrora resplandecente Potosí, cidade que, por conta da riqueza gerada pelas minas de prata, transformou-se numa das maiores cidades do mundo, igualando-se a Londres e superando Sevilha, Madri e Roma em número de habitantes; isso por volta de 1650.
Toda a Prata de Potosí, assim como as reservas das demais minas conhecidas pelos povos que habitavam as áreas do Império Inca, foi transferida para a Espanha – um dos maiores saques conhecidos pela história humana. O historiador Pierre Villar estima que entre os anos de 1551 a 1560, algo em torno de 16.179.638 kg de prata tenha sido subtraída das terras americanas. Lavada em sangue dos povos ameríndios, toda aquela prata contribuiu enormemente para alimentar o metalismo da política mercantilista espanhola. Boa parte desse metal saiu de Potosí, hoje uma das cidades mais pobres da América. Na época da subtração da prata boliviana, séculos XVI e XVII, os reinos europeus estavam ávidos por metais amoedáveis – ouro e prata – para saciar a “fome monetária” herdada da grande crise do século XIV; daí a política mercantilista.
Esgotadas as reservas minerais, a América Latina, na sua porção espanhola, assumiria outro papel na ordem colonial mercantilista ditada pela burguesia e pelos Estados europeus. A empresa agrícola monocultora, escravocrata, latifundiária e exportadora substituiu as minas na função histórica de enriquecer a metrópole ibérica.
O Alto Peru, como era conhecida a região que deu origem a Bolívia, foi uma das primeiras colônias sul americanas a se rebelar contra o domínio espanhol. Ali o processo emancipacionista teve início em 1809. A libertação só veio em 1825. Desde então a nação que recebeu o nome do libertador Simon Bolívar vem sendo vitimada por sucessivas ações espoliativas por parte das potências que substituíram a Espanha no controle daquela parte do mundo: primeiro a Inglaterra e depois os Estados Unidos da América.
No século XIX a região da outrora reluzente Potosí permanecia cumprindo a mesma função histórica, mas a prata só servia então para alimentar os sonhos dos sequiosos capitalistas europeus e norte-americanos. As minas do nobre metal já estavam esgotadas e o capitalismo havia modificado o seu perfil, além de possuir novos endereços. Banqueiros e industriais esparramavam suas empresas sediadas na Inglaterra, França, e Estados Unidos da América – os filhos mais pródigos da burguesia européia – para as áreas mais distantes do planeta. Outras potências seguiam os mesmos passos das velhas especialistas em usurpação da riqueza alheia, e partiam para uma nova aventura: a corrida imperialista para a montagem de novas formas de colonização, o neocolonialismo. Com a mesma avidez os impérios “cravaram os dentes na garganta da América” – agora chamada de Latina.
Na época do imperialismo, por volta de 1850, as potências industriais e financeiras vivenciavam uma situação no mínimo paradoxal: por um lado gozavam a euforia produzida pela opulência resultante da acumulação de capitais oriundos dos progressos verificados no setor produtivo depois da chamada Segunda Revolução Industrial, e de outro o temor de que as sombrias profecias do economista liberal Thomas Robert Malthus se concretizassem, isto é, de que o crescimento demográfico não fosse acompanhado por um correspondente aumento na produção de alimentos. Quer dizer, o encanto da “belle époque” poderia ser quebrado por turbulências sociais decorrentes da escassez de alimentos. Os bens produzidos pelas indústrias da grande burguesia mundial não visavam atender às necessidades inerentes à fisiologia humana, mas sim criar necessidades para o imaginário humano.
Por isso os laboratórios britânicos passaram a investir vultosas quantidades de recursos na pesquisa de novos fertilizantes que pudessem revigorar as já cansadas terras do velho continente. Aqueles eram também os tempos de grandes revoluções científicas como a farmacológica, a genética, etc.
Foi assim que o GUANO, excremento de aves marinhas como gaivotas e alcatrazes, e o SALITRE, mescla de nitrato de sódio e nitrato de potássio, tornaram-se preciosas matérias-primas industriais para salvar a velha Europa da fome. O guano já era conhecido como fertilizante pela população andina desde os tempos da civilização inca, já o salitre teve as suas propriedades descobertas mais tarde.
Alimentadas pelos cardumes que acompanhavam as correntes marítimas que tocavam as ilhas e a costa andina na altura do atual Peru, as gaivotas e os alcatrazes excretaram durante milhares de anos muitas toneladas de matérias fecais ricas em nitrogênio, fosfatos e amoniaco que agora serviriam para enriquecer o empobrecido solo europeu e engordar as contas bancárias da burguesia britânica e alemã. O salitre foi encontrado em grandes quantidades na região de Tarapacá, no Peru, e na província boliviana de Antofagasta.
Jamais o povo andino deve ter imaginado que a merda dos pássaros e uma “sujeira” branca do chão poderiam um dia trazer-lhes tanto sofrimento como o que estava por vir.
Desde 1840 alguns aventureiros europeus dedicaram-se a "limpar" as ilhas e as praias andinas em troca de muito dinheiro obtido com a comercialização das montanhas de excrementos transportadas para as indústrias de fertilizantes européias. Já em 1850 outros empresários britânicos se dispuseram a financiar a instalação de empresas extrativistas chilenas nas áreas salitreiras do Peru e da Bolívia. Tinha início assim a exploração de uma nova riqueza nas velhas conhecidas terras dos já esfolados trabalhadores andinos.
Assim como os seres humanos que trabalhavam em troca de salários miseráveis, também as reservas do guano esgotaram-se nos primeiros anos do século XX. Quanto às aves marinhas, essas viam minguar sua alimentação à medida que se desenvolvia no Peru a piscicultura – ainda hoje uma das maiores fontes de receita do país. Segundo o jornalista e historiador Eduardo Galeano, as gaivotas passaram a acompanhar os pescadores até o mar alto onde morriam esgotadas pela longa viagem, outras caiam mortas nas ruas das cidades onde buscavam alimento para substituir o peixe que fora transformado em farinha pelas multinacionais ligadas ao setor.
Mas, voltando ao salitre, ainda em meados do século XIX, quando o governo boliviano decidiu aumentar os impostos pagos pelas salitreiras estrangeiras - uma medida que nos dias de hoje seria condenada pelos neoliberais por seu conteúdo nacionalista - o Chile reagiu enviando seus exércitos para as regiões de Tarapacá e Antofagasta.
Sob o manto protetor do capitalismo britânico, tinha início um conflito que passou para a história com o nome de GUERRA DO PACÍFICO (1879-1884). O Chile, contando com o apoio inglês, lutou pelo controle das reservas de salitre contra duas nações irmãs – a Bolívia e o Peru – durante cinco anos. Era uma guerra interna para atender interesses externos.
Vale salientar que outras “guerras interamericanas” anteriores haviam deixado marcas profundas nas relações entre os povos irmãos do continente. Algumas decorreram de disputas entre os caudilhos – representantes das elites da região – pelo poder, outras por questões de fronteiras, mas, quase sempre, a motivação econômica também esteve presente, e essas envolviam interesses externos como os descritos anteriormente.
Ao final da Guerra do Pacífico, a Bolívia e o Peru, derrotados, tiveram seus territórios mutilados. A Bolívia perdeu, além das áreas salitreiras, a sua saída para o mar.
Quanto ao Chile tornou-se então o grande produtor mundial de salitre. Ocorre que “a região do salitre converteu-se numa feitoria britânica”. Menos de dez anos depois que os canhões se calaram e os acordos selaram as anexações, três quartas partes das exportações chilenas de salitre tinham como destino os portos de Londres. Sir John Thomas North, proprietário da Liverpool Nitrate Company, uma dentre inúmeras outras empresas suas que mantinham atividades no vasto mundo neocolonial, era conhecido nos círculos políticos e financeiros do mundo como o “rei do salitre”.
Na região de Antofagasta, integrada ao território chileno depois da guerra, foram encontradas posteriormente as maiores reservas de cobre do mundo.
No início do século XX, pouco mais da metade das importações do Chile eram provenientes da Inglaterra, um nível de dependência comparável ao da Índia, colônia britânica naquela época. Quando o cobre substituiu o salitre na pauta de exportações chilenas eram empresas norte-americanas como a Anaconda Copper Co. e a Kennecott Copper Co. as grandes controladoras do metal vermelho nas terras subtraídas da Bolívia.
Em 1973, o general Augusto Pinochet liderou um golpe militar que destituiu o presidente socialista Salvador Allende que tentava nacionalizar a economia chilena. A Anaconda produzia em outros países do mundo o arame que certamente serviu para cercar as propriedades chilenas depois do golpe.
E a Bolívia? Bem, em meados do século XX foi descoberto o maior veio de estanho do mundo em terras bolivianas. A nova riqueza mineral da Bolívia passou a ser exportada na forma bruta para ser refinada na Williams, Harvey and Co. sediada em Liverpool. No mesmo período a Bolívia tornou-se grande produtora de gás natural. Também os hidrocarbonetos acabaram entregues às empresas estrangeiras.
Inúmeros governos bolivianos acabaram depostos por golpes militares depois de tentativas de nacionalização das reservas naturais do país. Invasões, colonizações, guerras e golpes de Estado contam a história da Bolívia e da América Latina na era do capitalismo. Libras e dólares continuam financiando a prosperidade de poucos. O progresso intensifica a espoliação da nossa América
Categoria: AMÉRICA
Escrito por Fernando Gelfuso às 10h11
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ALIMENTO e ENERGIA
ALIMENTO e ENERGIA
Ainda bem que nós, os lunáticos catastrofistas adeptos da teoria da conspiração, não ficamos sozinhos difundindo a tese da falência do modelo de civilização em que vivemos.
Pelo menos é o que concluiu o escriba deste blog ao ser informado que o escritor/jornalista estadunidense Paul Roberts defende a mudança dos hábitos das sociedades ocidentais como alternativa primeira para solucionar os problemas relacionados às crises alimentar e energética. Para o autor dos livros “O Fim do Petróleo” e “O Fim do Alimento” “Não adianta falarmos que queremos que o governo, a ONU, seja quem for, resolva o problema, desde que nós possamos continuar tendo 2,5 carros, como é a média atual nos Estados Unidos".
Que bom que ele é norte-americano! Ainda acredito que eles sejam fortes quando expõem suas idéias. Talvez nós, pobres mortais, ainda tenhamos tempo para assistir um comercial da campanha contra a comercialização excessiva de automóveis por este mundão de Deus.
Enquanto isso, vale conferir os livros do “ousado” Paul Roberts.
Categoria: MUNDO
Escrito por Fernando Gelfuso às 21h58
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SUGESTÃO
Sugiro aos amigos, visitantes deste blog, a leitura de um texto escrito pelo professor Renato Leone. As bem traçadas linhas produzidas pelo dileto mestre serão encontradas no link http://leone101.blog.uol.com.br/
Vale a pena conferir.
Abraços a todos e parabéns ao meu amigo Leone.
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h51
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A “Nova Roma” e os migrantes
A “Nova Roma” e os migrantes
Nas últimas vezes em que se dispôs a escrever, claro, apaixonadamente, como sempre, sobre o povo brasileiro, o antropólogo Darcy Ribeiro, registrou que nós, os brasileiros, somos um “povo síntese”, mesclado na carne e na alma, feliz e orgulhoso por sê-lo, já que por nós a mestiçagem jamais foi vista como crime ou pecado. Segundo o mestre Darcy, fizemo-nos como uma civilização “desindianizando o índio, desafricanizando o negro, deseuropeizando o europeu e fundindo suas heranças culturais”. Constituímos, segundo ele, uma “Nova Roma”, civilização cosmopolita, múltipla, assoberbada, com a marca da diversidade, única, diversa, múltipla; mas única, absolutamente nova em suas compleições físicas ou comportamentais.
Mesmo nascendo das ações tresloucadas de homens que se julgavam portadores de uma missão divina, europeus que acreditavam serem dotados de uma visão profética daquilo que poderia suceder aos pretos e vermelhos selvagens e infiéis, fizemo-nos uma civilização de novo tipo, tolerante e flexível nas suas ações e gestos, capaz de assimilar convivências e inovações com a mesma facilidade com que organizamos uma festa. Acolhemos minorias expatriadas e perseguidas, patriotas violentados em suas próprias nações, refugiados de guerras fratricidas e imperialistas, trabalhadores excluídos dos mercados em suas próprias nações, mulheres discriminadas e tatuadas pelo ferrete da desonra. Recebemos povos dos mais diferentes lugares da terra com suas crenças, valores e hábitos que, não só aceitamos como assimilamos e partilhamos. Cometemos menos falhas com os estrangeiros que por aqui aportam do que com os nossos irmãos ameríndios, o que é uma lástima.
Mas, porque lembrarmos hoje do professor Darcy Ribeiro?
Acontece que os jornais estão noticiando que o governo espanhol estuda a possibilidade de pagar – não sei se a expressão utilizada foi pagar ou indenizar – os brasileiros e outros imigrantes LEGAIS que vivem na terra de Miguel de Cervantes para que eles retornem aos seus países de origem. Alguém chegou a mencionar um valor: 10.000 euros, quantia considerada suficiente para que um marroquino, por exemplo, possa começar um negócio em seu país.
Penso que nós, brasileiros, sentir-nos-íamos envergonhados e entristecidos se nosso governo, qualquer que fosse a sua coloração ideológica, fizesse “convite” semelhante aos nossos amigos, vizinhos, colegas de trabalho ou parentes espanhóis.
Claro que este sentimento não nos tocaria tanto se fossem “convidados” à partida o banco Santander, a Telefônica, a Mapfre, as editoras Planeta e Santillana, e outras empresas de proprietários espanhóis.Se tal acontecesse, talvez organizaríamos uma festa semelhante às que estamos assistindo para celebrar o centenário da chegada dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil.
E por falar nisso, abraços aos meus amigos Gonzales, Miguel, Hernandes, Diego; e também para o Sérgio Maruno, Douglas, Hélio, Chico, Daniel, ... Falamos depois da saga da imigração japonesa.
Categoria: BRASIL
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h26
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COMO DIZIA CELSO FURTADO...
COMO DIZIA CELSO FURTADO...
Contestado por grandes profetas do mercado ao longo das três últimas décadas, o economista Celso Furtado volta a ser lembrado em artigo assinado pelo mestre Paul Singer, também economista e titular da Universidade de São Paulo (USP).
Em texto publicado pela Folha de São Paulo no último dia 30, o professor Singer lembra que Furtado já antevia, em 1974, a atual azáfama provocada pela escassez de alimentos e de combustíveis nos mais diferentes pontos do mundo. A tese, exposta no livro “O Mito do Desenvolvimento Econômico”, parte do princípio de que não haveria no planeta recursos suficientes para que muitos países pobres atingissem níveis de consumo sequer próximos daqueles conquistados pelos povos do chamado “mundo desenvolvido”.
Parabéns ao professor Paul Singer pela clareza da análise e, principalmente, por sua atitude digna de um educador, a de fazer voltar à memória da intelectualidade brasileira o pensamento daquele que deve ser considerado um dos nossos mais brilhantes intelectuais, o imortal Celso Furtado.
O Blog pede licença à Folha de São Paulo para publicar o texto do professor Paul Singer, que pode ser acessado no link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz3005200808.htm
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O futuro chegou: crise alimentar e energética
PAUL SINGER
Nunca em tempos de paz houve pressões inflacionárias tão violentas a partir do encarecimento de bens essenciais
O PREÇO do petróleo está batendo recordes quase diariamente. No momento, ele gira ao redor de 130 dólares o barril. O índice dos preços de alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) foi, em média, 127 em 2006 e 157 em 2007, subindo para 220 em março de 2008 (1998-2000 = 100). Nunca em tempos de paz houve pressões inflacionárias tão violentas a partir do encarecimento de bens essenciais. Eis a grande novidade dessa dupla crise que se deve às mesmas causas: a redução da pobreza em grandes países periféricos, como a China, a Índia e o Brasil (além de outros), que expandiu fortemente a demanda por derivados de petróleo e por alimentos "nobres" -carne e laticínios, cuja produção exige muito mais trabalho humano, energia e recursos naturais não renováveis, como terra e água. A elevação dos preços do petróleo e da comida deveria provocar um aumento de sua produção, pois seu encarecimento a torna mais lucrativa. Mas a elevação da produção alimentar esbarra na disponibilidade de terra e água, limitada pela sua poluição pelos elementos químicos utilizados pelos agricultores. O mesmo vale para o aumento da produção de petróleo, limitado pelas reservas exploráveis. Estamos nos defrontando com um cenário que Celso Furtado previu em 1974, quando escreveu "O Mito do Desenvolvimento Econômico". Ele sustentava que era um mito esperar que o desenvolvimento econômico dos países do Terceiro Mundo lhes permitiria alcançar o nível de vida usufruído apenas pelos povos do Primeiro Mundo, porque não haveria recursos naturais suficientes para que isso pudesse acontecer. Quase um terço de século decorreu desde então, e o que parecia na época um exagerado temor malthusiano tornou-se consensual, sobretudo desde que se comprovou que o clima da Terra está aquecendo, com conseqüências danosas para os recursos naturais do planeta. A nova classe média nos países chamados de emergentes passou a ter dinheiro para alcançar o padrão de vida de sua congênere do Primeiro Mundo. Essa mudança seria desejável se ela não impactasse desfavoravelmente sobre a grande massa que continua pobre. A carestia da comida, causada pelo aumento da demanda dos ex-pobres, empobrece ainda mais os que já gastam a maior parte do que ganham para alimentar a família. Os cereais que lhes mataria a fome tendem agora a ser dados aos animais cujos derivados alcançam preços cada vez mais atraentes. O funcionamento do mercado mundial de alimentos produz "naturalmente" esses efeitos perversos. Motins da fome estouram em cada vez mais países e, de acordo com a FAO, em 37, dos quais 21 africanos, há crise alimentar. Premidos pelo desespero dos famintos, cada vez mais governos (inclusive o brasileiro) tratam de restringir a exportação de alimentos básicos para garantir o abastecimento do mercado interno. O que naturalmente agrava a situação dos pobres nos países que dependem de alimentos importados. A ONU, alarmada com a gravidade da situação, está solicitando das nações mais ricas recursos para impedir que a fome se alastre pelo mundo, pondo em risco não só o combate à pobreza mas também a paz mundial. Governos terão de adotar medidas de emergência para garantir um abastecimento alimentar mínimo a todos: estatizar os estoques de alimentos para evitar que sejam açambarcados pelos que têm dinheiro para formar estoques privados. E racionar a sua venda, por preços que os mais pobres possam pagar; eventualmente, taxar mais os alimentos derivados de animais para possibilitar o aumento da produção dos alimentos vegetais, indispensáveis à nutrição do conjunto da população; taxar também os derivados de petróleo, para reduzir a utilização do transporte individual e aumentar a do transporte coletivo. A crise alimentar e energética poderá talvez ser contida por medidas como essas, mas sua resolução exigirá mudanças mais profundas. Os padrões de consumo terão de ser acomodados à real disponibilidade de recursos naturais, e esta deverá ser alargada por mais investimentos no aumento da produção agrícola sustentável do ponto de vista social e ambiental. As crises energética e da mudança climática terão de ser resolvidas pelo desenvolvimento de fontes renováveis de energia limpa, única maneira de acabar com as emissões de gases resultantes da queima de combustíveis fósseis. A crise alimentar não pode deixar de limitar, em alguma medida, a produção de agrocombustíveis, de modo que o desenvolvimento de outras fontes de energia -solar, eólica, hidráulica- terá de receber prioridade.
PAUL SINGER, 76, economista, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP, é secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi secretário municipal do Planejamento de São Paulo (gestão Luiza Erundina).
Categoria: BRASIL
Escrito por Fernando Gelfuso às 14h49
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DRUMMOND
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
(Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), poeta mineiro)
Categoria: SOCIED, CULT, ESP e MEIO AMBIENT
Escrito por Fernando Gelfuso às 12h14
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UTOPIA
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".
(Eduardo Galeano; jornalista e escritor uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina, uma entre uma vastidão de grandes obras)
Categoria: EDUCAÇÃO e VESTIBULAR
Escrito por Fernando Gelfuso às 12h12
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GUERRA E MISÉRIA
GUERRA E MISÉRIA:
"(...).
Os terroristas se parecem entre si: os terroristas de Estado, respeitáveis homens de governo, e os terroristas privados, que são loucos soltos ou loucos organizados desde os tempos da Guerra Fria contra o “totalitarismo comunista”. E todos agem em nome de Deus, seja Deus, Alá ou Jeová. Até quando continuaremos a ignorar que todos os terrorismos desprezam a vida humana e que todos se alimentam mutuamente. Não é evidente que nesta guerra entre Israel e Hezbolá são civis, libaneses, palestinos, israelenses, os que choram os mortos? Não é evidente que as guerras do Afeganistão e do Iraque e as invasões de Gaza e do Líbano são incubadoras do ódio, que fabricam fanáticos em série?
Somos a única espécie animal especializada no extermínio mútuo. Destinamos US$ 2,5 bilhões, a cada dia, para os gastos militares. A miséria e a guerra são filhas do mesmo pai: como alguns deuses cruéis, come os vivos e os mortos. Até quanto continuaremos a aceitar que este mundo enamorado da morte é nosso único mundo possível?". __________ Eduardo Galeano. Fragmento de artigo escrito originalmente para a revista cubana La Jiribilla.
Categoria: MUNDO
Escrito por Fernando Gelfuso às 21h25
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PERGUNTAS DE UM TERRÁQUEO CANSADO
Cansei!!!
Agora só vou perguntar...
Será que este modelo de civilização não tem mais problemas? Ele venceu mesmo? Venceu quem? Onde está escondido o troféu do grande vencedor? Os paises que substituíram o modelo derrotado pelo vencedor são hoje menos injustos, cruentos ou hipócritas? Ditaduras das empresas são melhores ou piores do que as dos estados? Será que as grandes questões econômicas, políticas e sociais só não merecem maior destaque na mídia porque são resolvidas muito rapidamente? Os grandes problemas do mundo rico são somente aqueles produzidos pelas hordas geradas nos ventres das mulheres migrantes, proletárias da pós-modernidade? As guerras que o grande império patrocina no mundo inteiro não provocam mais nada além da derrubada de regimes tirânicos e da reação desatinada de seus brutais seguidores? Aliás, quantas são as guerras em curso no mundo atual? Quais são as suas causas estruturais e conjunturais? Os genocídios perpetrados contra populações africanas acabaram? As carnificinas patrocinadas pelos grandes conglomerados protetores de governos corruptos do submundo do capitalismo também já foram transformadas em peças para a História? As pessoas estão “cansadas” de aviões que atrasam, da corrupção, dos impostos, da violência, e dos juros; mas será que ninguém se cansou ainda da miséria extrema, da cidadania concedida como privilégio, da exclusão e da apartação étnica e social? A propósito, alguém sabe o que é miséria extrema? Jornalismo mercadológico e novelas também não cansam? Não há um meio de se cansar também do ócio e da opulência? O “ter” também não cansa? As pessoas não se cansam das crianças dos semáforos? Se excluirmos os serviços públicos, reconhecidamente de péssima qualidade, o nosso sistema de saúde não tem nenhum problema além das misérias que pagam aos médicos? Por falar nisso, ninguém morre no mundo por erro médico, ou essas mortes são menos graves por serem assépticas? O grande problema da educação continua sendo somente o despreparo e a preguiça dos professores? As grandes empresas e conglomerados só trazem benefícios às sociedades do mundo contemporâneo? Os políticos são de fato o único problema encontrado pelas administrações das coisas públicas? O cigarro produzido com tabaco continua matando muito, só ele? Matam menos os carros, os celulares, a guerra, o trabalho, ou ainda estresse, agonia, angústia, solidão e as outras drogas utilizadas para amenizar as dores provocadas por esses sentimentos? Será que há alguma instituição pública ou privada preparando, com a ajuda de especialistas, uma campanha contra a venda indiscriminada de automóveis e de celulares? Os biocombustíveis resolverão mesmo os problemas ambientais?...? ...? ...? ...? ...?
Peço perdão pelo total desequilíbrio e desordem deste escrito. Nem dá prá dizer que se parece com o “samba do crioulo doido” porque falta a este qualidade literária e brilho poético. Mas... são perguntas. Questões de uma mente perturbada pelo unilateralismo midiático, Dúvidas de um terráqueo que está a ponto de pedir para descer...
Categoria: MUNDO
Escrito por Fernando Gelfuso às 11h01
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AQUECIMENTO GLOBAL E O IMPÉRIO DAS MERCADORIAS
AQUECIMENTO GLOBAL E O IMPÉRIO DAS MERCADORIAS
Parte I
Quando no início deste ano, governantes, empresários e banqueiros de diversos países do mundo chegaram ao cantão suíço de Grisons para participarem do Fórum Econômico Mundial de Davos, uma desagradável surpresa os aguardava – e não eram as “hordas” de manifestantes anti-globalização, habituais contestadores do evento. O inesperado havia sido reservado pela natureza: as belas montanhas da região estavam descobertas das alvas camadas de gelo que as envolvem no inverno. Apropriado desencanto: os homens da produção viam-se diante de um dos efeitos colaterais do crescimento econômico. A amarga constatação de que a produção emprega, difunde o conforto e enriquece, mas também polui, levou à ameaçadora conclusão de que a poluição aquece e liquefaz a neve, modifica paisagens e ameaça a vida humana.
Desde alguns meses antes daquele janeiro de 2007, quando ecodesastres anunciavam aquilo que os ambientalistas – tidos até então como esquerdistas utópicos e catastrofistas – temiam e denunciavam há décadas, os termômetros já estavam tirando o sono de autoridades políticas, empresários, especuladores, especialistas em climatologia e da população em geral, notadamente nos países mais industrializados do mundo, como os Estados Unidos da América e os gigantes europeus. As mudanças climáticas – efeito mais evidente do aquecimento global – parecem ter acordado todos aqueles que hesitavam em se compromissar com as políticas de preservação do meio ambiente, inclusive governantes, empresários e banqueiros de todo o mundo.
O estardalhaço propagado pela mídia, em inúmeros artigos, matérias e entrevistas trouxe a falsa idéia de que as preocupações com os problemas climáticos são recentes. O processo do aquecimento global pode ser considerado historicamente coevo às últimas gerações, mas as preocupações são bem antigas. Poucos sabem que a chamada Questão Ambiental vem importunando alguns cientistas há quase dois séculos. Em 1827, por exemplo, o físico e matemático francês Jean-Baptiste Fourier (1768-1830), estudioso dos problemas relativos à condução térmica, já mencionava o “efeito estufa” em um trabalho com plantas adaptadas a climas quentes e cultivadas em estufas de vidro no clima frio da Europa. Segundo Fourier, o fenômeno observado naquelas estufas poderia ser reproduzido em maior escala na atmosfera terrestre.
Em 1860, o físico inglês John Tyndall (1820-1893) diagnosticou que as grandes variações na temperatura média do planeta poderiam estar relacionadas às concentrações de dióxido de carbono na atmosfera e, ainda, no mesmo século XIX, o químico sueco Svante August Arrhenius (1859-1927) concluiu que se fosse duplicada a concentração de CO2 na atmosfera a temperatura do planeta poderia aumentar de 5º a 6º C. Desde então, as manifestações científicas acerca dos problemas relacionados ao meio ambiente vem aumentando em número e em profundidade nos seus levantamentos e conclusões. O século XX trouxe consigo, além de guerras e morticínios, novos ramos das ciências mais diretamente interessados na incômoda questão. Dos laboratórios e departamentos das universidades o tema passou a pautar discussões legislativas em todo o mundo, recheou as primeiras páginas dos jornais e as chamadas dos noticiários de rádio e televisão até bater às portas dos cidadãos comuns, dos mortais que acreditam ser felizes porque trabalham para consumir um pouco daquilo que o “sistema mundial produtor de mercadorias” disponibiliza para todos.
Vale lembrar que o relatório dos cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), divulgado no último dia 2 de fevereiro, concluiu que a ação humana é a maior responsável pelo aquecimento do planeta. Os lunáticos ecologistas esquerdistas e utópicos já denunciavam isso, assim como a História.
Categoria: SOCIED, CULT, ESP e MEIO AMBIENT
Escrito por Fernando Gelfuso às 16h26
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BRASIL, Sudeste, RIBEIRAO PRETO, JARDIM PAULISTA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Música, Esporte Outro -
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