Gelfuso: História e Cotidiano


 
 

Sobre um cronista esportivo

 

Sobre um cronista esportivo

Comentário rejeitado pelo Blog do jornalista Flávio Prado:

Hoje, em uma transmissão radiofônica, eu ouvi o senhor fazer o seguinte comentário: " (...) Em Copa do Mundo, a França sempre cresce muito na reta final".

Como assim? Sempre cresce muito? Por acaso a França é uma tradicional finalista de Copas?  Ela está sempre entre os quatro semi-finalistas?

Em dezenove edições, a França só chegou em etapas finais cinco vezes. Esse país só conquistou uma Copa do Mundo que, disputada na própria França, nós, brasileiros, bem sabemos como foi vencida. O México disputou mais Copas do que a França, senhor Flávio Prado. A França se classificou para esse mundial na "Repescagem" com um gol ilegal (impedimento muito claro) contra a fragilíssima Ucrânia.... Como você tem coragem de dizer que esse time está jogando um grande futebol? É um time mediano, senão bom, razoável; não muito diferente da seleção brasileira.

Acho que o senhor deve ir aos estádios de futebol assistir jogos ao vivo, de perto, senão perde contato com a realidade do esporte com o qual o senhor trabalha. Uma vez ouvi-lo dizer que há muitos anos não vai aos estádios de futebol, porque eles são nojentos e porque lá só vão bandidos. Penso que é por isso que és o comentarista que mais cabeçada dá com suas opiniões. É um fora atrás do outro. Não acerta uma sequer. Análises furadas, opiniões incoerentes, prognósticos que jamais se concretizam. Acho que agora o senhor já pode ir em alguns estádios, já que estão parecidos com os estádios europeus; quem sabe um contato mais direto com a matéria-prima do seu trabalho possa melhorar um pouco o seu pífio rendimento.

O jornalismo brasileiro, mesmo que seja o esportivo, não precisa de profissionais "lambe-botas" de europeus, "baba-ovo" e "paga-pau" para quem veio de caravela. O futebol brasileiro foi grande quando foi diferente do europeu; quando tinha jeito de jogar e de disputar campeonatos diferentes do europeu; quando o interior - que o senhor chama de LIXO - era valorizado e, por isso, revelava inúmeros craques.

Sobre isso, penso que, se brasileiros fossem europeus já teria sido desencadeada no Brasil uma campanha de leitores e ouvintes do interior contra as empresas em que o senhor escreve e fala...

Aliás, quero dizer-lhe que, como jornalista, você é um LIXO!!!

 



Categoria: SOCIED, CULT, ESP e MEIO AMBIENT
Escrito por Fernando Gelfuso às 17h18
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Onde a existência humana...

Onde a existência humana...

Hoje, 21h 45m, na fila em uma dessas lojas de conveniência, um homem fazia o seu pedido:

- Me dá dois filões e duas fatias de mortadela.

- Atendimento iniciado...

- Senhorita, por favor, pode colocar 100 gramas da mortadela e mais 100 de mozzarella – na verdade foi dito mussarela. Acrescente também mais três filões e um refrigerante. Soma junto com a minha conta.

- Mais,...Moço!?!?!? Eu não...

- Fique tranquilo amigo, eu preciso mesmo trocar uma nota de cinquenta que eu tenho aqui.

Na fila para o pagamento, nenhuma palavra, nenhum olhar, na verdade nenhum outro gesto antes de iniciar uma lenta caminhada em direção à porta do estabelecimento.

Pagamento feito.

- Muito agradecido. Boa noite!

Na saída, na calçada do posto de combustíveis, o homem esperava olhando fixamente para a porta da conveniência. Muito sujo. Sandália havaiana, bermuda, camiseta era um colete desses para times de futebol sem sequer uma manga. Certamente ele sentia frio, mas uma manta marrom de suja estava pendurada no varal do carrinho de mão onde o homem estava encostado. O cansaço parecia fazer tremer a aura profundamente entristecida do homem, mas ele ainda parece disposto. Deve ter ainda uns bons quilômetros para andar com aquele fardo que será o sustento de amanhã. O carrinho? Está ali, abarrotado de sucatas com predominância de papelão.

- Moço, o senhor me desculpe por eu não ter agradecido lá dentro do bar (foi assim que ele tratou a loja de conveniência, tratamento muito justo e conveniente, aliás), não foi nem falta de educação, nem vergonha não, viu? Mas é que a gente até fica com medo. Nos dias de hoje quando alguém faz uma coisa dessas a gente sente medo.

Parou de falar, apanhou o cobertor marrom sujeira e continuou:

- Antigamente se falava que a gente estava vivendo em uma “selva de pedra”. Isso era porque estava acabando o verde do mundo. Os caras estavam desmatando, destruindo as matas pra fazer arranha-céu. Hoje eu acho que gente ainda está vivendo na tal “selva de pedra”, mas já não é mais por causa do mato que arrancaram não, é por causa dos corações mesmo... Os corações viraram pedra. A única coisa que amolece coração de homem é dinheiro, e é porque todo mundo só vive atrás de ganhar muito dele, então eles só respeitam e gostam do maldito dinheiro...

- É isso mesmo, meu amigo... Eu também... Nó na goela... Fique com mais esse aqui pro lanche de amanhã, tá?

- Vai com Deus, moço. Que ele dê muito mais do que isso pro senhor, mas que ele dê em forma de saúde e de alegria com a sua família...

 

Quase uma hora depois, parece que o homem continua por perto, aqui ao lado... Vai ficar assim ainda por um bom tempo. A miséria escandaliza. A amargura e a tristeza batem fundo por reafirmar a cada dia condições de existência humana tão degradante. Mas outro sentimento incomoda mais, uma pergunta ainda vai espantar o sono: porque um ser humano tão grandioso na sua forma de enxergar a humanidade, ou de ver o avesso dela, não consegue refletir politicamente a realidade que o cerca? Porque em uma sociedade  caracterizada pela falta de interesse, pela pasmaceira, pelo menos ele não consegue refletir criticamente a sua própria realidade.



Categoria: SOCIED, CULT, ESP e MEIO AMBIENT
Escrito por Fernando Gelfuso às 23h13
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As coisas nos seus devidos lugares

 

Que a derrota do Galo Mineiro sirva, pelo menos, para que a imprensa e jogadores brasileiros comecem a pensar em colocar as coisas do futebol brasileiro nos seus devidos lugares: nem somos hoje tão bons como a imprensa nos força cotidianamente a acreditar, nem valemos tanto quanto os nossos atletas acham que valem.

Quanto à torcida, ela sofrerá bem menos quando deixar de pensar e reproduzir aquilo que lhes vende barato a grande imprensa esportiva tupiniquim; o que vale dizer que o Mundial de Clubes não vale o preço que lhe atribuem, é só um torneio de mata-mata, tiro curto, curtíssimo e, às vezes, bem chinfrim.

Europeizamos os nossos campeonatos e o nosso jeito de jogar. Os campeonatos são de 20 clubes na forma de pontos corridos e só valorizamos os grandes clubes dos grandes centros. Os esquemas táticos centrados na força física se sobrepuseram à velha e encantadora ginga latina dos tempos da várzea da periferia interiorana. Só que, enquanto isso, europeus, africanos e asiáticos aprenderam a gingar e brincar com os esquemas táticos.

A cartolagem dirigente e os empresários, grandes senhores feudais do futebol, têm muito a agradecer às campanhas que denigrem a imagem do velho modelo brasileiro de tocar e jogar futebol.

O Fluminense sabe muito bem como é que é...

 



Escrito por Fernando Gelfuso às 00h36
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LIXOS e TÍTULOS - Dois Golpes

LIXOS e TÍTULOS - Dois Golpes

Pois não é que ontem foi o dia do Flávio Prado? Para o bem ou para o mal, parece que sim. Dois golpes em uma só noite.

Primeiro golpe: muitos brasileiros do interior devem ter pensado muito nele, afinal, a Ponte Preta conquistou o direito de jogar a final da Copa Sul Americana representando o Brasil - e olhem que para isso a macaca campineira derrotou o esquadrão da estrela Murici Ramalho e do "genial" PC Ganso. O "Lixo" do interior representando o Brasil??? Mesmo que a Ponte seja o time do coração dele, deve ter sido difícil para o grande falador e escrivinhador dos esportes, benemérito baba ovo das estrelas do futebol brasileiro, aceitar a situação.

Segundo golpe: moradores dos "lixos" paulistas também devem ter homenageado o escriba falador Flávio Prado após o apito final do árbitro que dirigia a final da Copa do Brasil. Flamengo 2X0 Atlético Paranaense. Explica-se: é verdade que ele conseguiu engolir o "caipira de Sum Paulo" Wagner Mancini como técnico vencedor, mas não sem antes creditar o sucesso do clube paranaense à mais sábia e ousada decisão da diretoria do clube de  trocar as estrelas do time pelos meninos da base para disputar o "lixo" do campeonato estadual no início do ano. Pois bem, os últimos resultados do time de Curitiba não foram muito bons. Time parece estar caindo de produção mesmo tendo descansado enquanto os meninos esbaldavam-se no lixo paranaense; mas o pior veio ontem com a perda do título para o Flamengo com grandes atuações de dois atletas que vieram das latas de lixo de Mogi Mirim e Piracicaba - isso mesmo, o "Brocador" da galera rubronegra e o Paulinho disputaram e destacaram-se no "lixo" do campeonato paulista de 2013.

Poderiamos estender a lista de frustrantes ocorrências do futebol brasileiro para o falador Flávio Prado, mas por hoje basta.

Nossos sentimentos, Prado.



Categoria: SOCIED, CULT, ESP e MEIO AMBIENT
Escrito por Fernando Gelfuso às 18h06
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Colonialismo X Futebol do Interior

Colonialismo X Futebol do Interior

 

Como tive meu comentário barrado em um post do blog do Juca Kfouri, resolvi publicar em outros meios, o que lá escrevi. Logo após minhas linhas, está o link para acessar o post do jornalista esportivo.

 

Hipócrita esse Juca Kfouri. Ele utiliza-se de imagens, fotos e fatos do interior sempre que isso serve à sua autopromoção. O interior é fértil para a produção de cultura e literatura de alto nível, então quando quer posar de articulista esportivo intelectualizado, ou de acadêmico do esporte, ele explora o trabalho de artistas, no caso um fotógrafo, ou invoca os nomes de Nelson Rodrigues e outros gênios da literatura nacional.

Na verdade Juca como outros comentaristas esportivos de gabinete como Flávio Prado, por exemplo, vive de fazer campanha pelo fim dos campeonatos regionais de futebol e para isso ridicularizam à exaustão o interior, seus clubes e dirigentes. O segundo, Flávio Prado, o colunista esportivo que diz não ir a estádios de futebol há muitos anos, canta todos os dias em verso e prosa que o interior, seu futebol e seus dirigentes não passam de lixos que só servem para tirar o brilho do campeonato brasileiro. Esse sim, agora tocado segundo receita europeia, merece louvores e glórias dos esportistas tupiniquins. Isso mesmo LIXO, assim ele considera o futebol do interior e, sendo assim, o próprio interior.

Gente como eles vivem de denegrir a imagem dos clubes do interior, desrespeitando as Histórias construídas com tanto trabalho por muitas gerações que deixavam de viver para si, mas cheias de orgulho e sem ganhar um único centavo, dedicavam-se a tocar os seus clubes de coração. Desprezam, mas evidentemente não desconhecem o fato de que são os caipiras do interior, esses lixos do futebol brasileiro, responsáveis por revelações que o país exportou. Legiões de grandes craques reveladas por esses lixos que, agora, só servem para esgotar, extenuar os artistas que entram em campo com as camisas dos milionários clubes grandes, aqueles coitadinhos que são “escravizados pelos seus patrões porque têm de entrar em campo até 75 vezes ao ano” só porque ganham salário um pouco acima da média nacional.

Nós, caipiras e sertanejos de todo o Brasil, deveríamos então iniciar um grande movimento para que o interior, o lixo, desligasse e/ou rasgasse tudo o que traz os nomes desses facínoras colonialistas e entreguistas do futebol brasileiro, isto é, desliguemos nossos aparelhos de rádio e TV, ou deixemos de sintonizar as emissoras onde eles trabalham; rasguemos os diários onde eles rabiscam seus absurdos. Fiquemos com os nossos históricos clubes, com a nossa caipirice, com os nossos campinhos esburacados e enlameados, com nossos sítios e fazenda, com o futebol aos domingos e nossos craques de peladas. Que eles fiquem com seus empresários, com seus canais europeus, com os seus dirigentes - os de clubes grandes, aqueles mesmos que nunca explicam onde são investidos, ou em que mãos descansam as cifras milionárias advindas das estranhas transações dos artistas muitas vezes nascidos no lixo do interior.

 

http://blogdojuca.uol.com.br/2013/09/veja-e-babe-as-imagens-de-uma-paixao/



Categoria: SOCIED, CULT, ESP e MEIO AMBIENT
Escrito por Fernando Gelfuso às 19h15
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Síria ou Iraque?

Síria ou Iraque?

Autoridades norte-americanas estão certas de que as forças do governo sírio usaram armas químicas contra a população civil do país. Israel se prepara para resistir e se proteger de um possível ataque - ou será contra-ataque? - sírio contra o seu território que parta dos lançadores do presidente Bashar al-Assad. Reino Unido e França condenam ações do ditador contra a inocente população civil da Líbia e prometem, por isso, retaliação em conjunto com o aliado da América do Norte. Inspetores da ONU estão na Síria para inspeções técnicas nas áreas de conflito. Às vezes os agentes conseguem trabalhar, mas em outras são impedidos por forças de circunstâncias múltiplas...

Blá, blá, blá...

O filme parece repetido...



Categoria: MUNDO
Escrito por Fernando Gelfuso às 20h56
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Chavismo continua

Chavismo continua

Chavistas tomam as ruas de Caracas em apoio ao presidente reeleito Foto: AP

Parece que a festa dos grandes conglomerados do petróleo e seus seguidores mundo afora foi adiada.

A mídia, a classe média e as oligarquias não querem, mas parece que o povo venezuelano apoia a manutenção do modelo chavista.

Melhor para a Venezuela. Azar o das potências. Busquem outros meios para solucionar suas crises. Pelo menos por enquanto.

Felicidades ao povo venezuelano.

Apoiadores de Chávez tomam as ruas do entorno do palácio presidencial de Miraflores em apoio ao presente, que completa hoje um mês de sua nova fase de tratamento contra o câncer em Cuba Foto: EFE

 



Categoria: AMÉRICA
Escrito por Fernando Gelfuso às 17h54
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Tudo certo. Agradecimento

Tudo certo. Agradecimento

Tudo de volta à normalidade. Blog "funcionando" novamente.

Agradecimentos à equipe que atendeu nossas solicitações.

Espero que ainda possa ser útil ao pessoal que faz as últimas provas do ano e pretende ler alguns textos.

Abração.



Escrito por Fernando Gelfuso às 11h49
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TESTE

Problemas ainda sem solução

Penso em desativar o Blog.

Vou transferir os textos para o http://gelfuso.blog.terra.com.br/

GELFUSO: HISTÓRIA e COTIDIANO

Discussão, reflexão, mídia, História e Educação



Escrito por Fernando Gelfuso às 11h13
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NOVO ENDEREÇO

Por dificuldades que o UOL não soluciona e nem comunica os assinantes, este Blog foi transferido para outro endereço.

Anotem, ou gravem aí:

http://gelfuso.blog.terra.com.br/

Peço aos amigos que me comuniquem caso estejam conseguindo acessar esta página.

Agradecido.

Nos encontramos lá.

Abraços.



Escrito por Fernando Gelfuso às 09h59
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Uma alma fora do purgatório

Uma alma fora do purgatório

Minha avó costumava dizer sempre, a propósito de um acontecimento inusitado ou extraordinário, que uma alma havia saído do purgatório. Pois foi da Dona Linda que me lembrei quando, hoje pela manhã, lia as “Internacionais” do Estadão.

Artigo publicado na coluna “Visão Global” e assinado pelo colunista do The New York Times, Nicolas D. Kristof, afirmava já no primeiro parágrafo que “O Bahrein, um dos aliados mais repressivos dos EUA, tenta manter jornalistas e observadores de direitos humanos fora.” Afirma ainda o escriba estadunidense que “Monarquia aliada dos EUA prende opositores pacíficos, deixa livre quem usa coquetéis molotov e assim justifica repressão.”.

Em princípio não há nada de novo na informação. Todos sabem que a maioria dos Estados terroristas do Oriente Médio é, ou foram em passado não muito distante, os grandes aliados dos EUA na complexa conjuntura geopolítica da região. A novidade é a origem da informação: o The New York Times. Só isso já justificaria a saída de uma alma do purgatório. Mas, o Estadão da dinastia Mesquita acompanhar?!?!?! Aí já dá até para buscar algumas almas penadas nas profundezas do inferno.

Aí vai o link do artigo. Merece ser lido.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-o-bahrein-disse-caia-fora-,978031,0.htm



Categoria: MUNDO
Escrito por Fernando Gelfuso às 12h37
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Jimmy Carter: uma opinião sobre eleições na Venezuela

In: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/24425/processo+eleitoral+na+venezuela+e+o+melhor+do+mundo+diz+jimmy+carter.shtml

"Processo eleitoral na Venezuela é o melhor do mundo", diz Jimmy Carter

Ex-presidente dos EUA coordena centro de monitoramento de eleições ao redor do mundo há mais de uma década

> src="http://platform.twitter.com/widgets.js" type="text/javascript">WikiCommons (15/02/11)

O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter em conferência na Livraria da Presidência em Washington

O processo eleitoral na Venezuela é considerado o melhor do mundo pelo ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, que coordena uma instituição de monitoramento de eleições ao redor do mundo há mais de uma década. Em conferência anual do Carter Center, o norte-americano também garantiu que Hugo Chávez venceu de forma “justa” o último pleito presidencial, em 2006.

Carter elogiou o sistema de votação venezuelano por incluir duas formas de contagem, o que dificulta qualquer tipo de tentativa de fraude. No país, os eleitores escolhem o seu candidato em uma urna eletrônica e ainda recebem um comprovante, que é depositado em uma caixa vedada, aberta para confirmar os resultados eleitorais. Além disso, um dos dedos é manchado com tinta indelével.

O democrata disse que enquanto os sistemas de financiamento de campanha nos países latino-americanos melhorou significativamente, nos EUA se consolidou uma “corrupção financeira” alimentada por “resoluções que facilitaram o fluxo de dinheiro privado para as contas dos candidatos”.

Suas declarações vieram no mesmo dia em que jornalistas se reuniram no Carter Center para um workshop sobre a cobertura midiática das eleições venezuelanas. A instituição quer preparar os profissionais para escreverem retratos profissionais e não partidários do próximo pleito no país, que ocorre no dia 7 de outubro deste ano.

"O espaço que o treinamento do Centro fornece para reunir jornalistas de mídia divergentes é uma contribuição importante para diminuir a polarização e fortalecer a democracia venezuelana”, afirmou Andres D’Alessandro que coordenou atividades em junhos deste ano.

“As oficinas me ensinaram que tenho de fazer jornalismo – não jornalismo de oposição ou jornalismo oficial”, disse David Ludovic da ONG Instituto Prensa y Sociedad, que monitora o direito à liberdade de expressão na Venezuela. “Eu devo trazer apenas dados e explicações para o meu público", acrescentou.

Por mais de uma década, o Carter Center conduziu observações eleitorais e treinamento para jornalistas na Venezuela. A organização norte-americana vai realizar estudo autônomo e independente sobre as eleições presidências deste ano no país, incluindo percepções da população sobre o processo eleitoral.

 



Escrito por Fernando Gelfuso às 00h18
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Perguntas de um Terráqueo Cansado

Perguntas de um Terráqueo Cansado

            Cansei!!!

            Agora só vou perguntar...

            Será que este modelo de civilização não tem mais problemas? Ele venceu mesmo? Venceu quem? Onde está escondido o troféu do grande vencedor? Os países que substituíram o modelo derrotado pelo vencedor são hoje menos injustos, cruentos ou hipócritas? Ditaduras das empresas são melhores ou piores do que as dos estados? Será que as grandes questões econômicas, políticas e sociais só não merecem maior destaque na mídia porque são resolvidas muito rapidamente? Os grandes problemas do mundo rico são somente aqueles produzidos pelas hordas geradas nos ventres das mulheres migrantes, proletárias da pós-modernidade? As guerras que o grande império patrocina no mundo inteiro não provocam mais nada além da derrubada de regimes tirânicos e da reação desatinada de seus brutais seguidores? Aliás, quantas são as guerras em curso no mundo atual? Quais são as suas causas estruturais e conjunturais? Os genocídios perpetrados contra populações africanas acabaram? As carnificinas patrocinadas pelos grandes conglomerados protetores de governos corruptos do submundo do capitalismo também já foram transformadas em peças para a História? As pessoas estão “cansadas” de aviões que atrasam, da corrupção, dos impostos, da violência, e dos juros; mas será que ninguém se cansou ainda da miséria extrema, da cidadania concedida como privilégio, da exclusão e da apartação étnica e social? A propósito, alguém sabe o que é miséria extrema? Jornalismo mercadológico e novelas também não cansam? Não há um meio de se cansar também do ócio e da opulência? O “ter” também não cansa? As pessoas não se cansam das crianças dos semáforos? Se excluirmos os serviços públicos, reconhecidamente de péssima qualidade, o nosso sistema de saúde não tem nenhum problema além das misérias que pagam aos médicos? Por falar nisso, ninguém morre no mundo por erro médico, ou essas mortes são menos graves por serem assépticas? O grande problema da educação continua sendo somente o despreparo e a preguiça dos professores? As grandes empresas e conglomerados só trazem benefícios às sociedades do mundo contemporâneo? Os políticos são de fato o único problema encontrado pelas administrações das coisas públicas? O cigarro produzido com tabaco continua matando muito, só ele? Matam menos os carros, os celulares, a guerra, o trabalho, ou ainda estresse, agonia, angústia, solidão e as outras drogas utilizadas para amenizar as dores provocadas por esses sentimentos? Será que há alguma instituição pública ou privada preparando, com a ajuda de especialistas, uma campanha contra a venda indiscriminada de automóveis e de celulares? Os biocombustíveis resolverão mesmo os problemas ambientais?...? ...? ...? ...? ...?

            Peço perdão pelo total desequilíbrio e desordem deste escrito. Nem dá pra dizer que se parece com o “samba do crioulo doido” porque falta a este qualidade literária e brilho poético. Mas... São perguntas. Questões de uma mente perturbada pelo unilateralismo midiático, Dúvidas de um terráqueo que está a ponto de pedir para descer.


 

 

Palavras rabiscadas no dia 06 de setembro de 2007, neste mesmo espaço.

 

O cansaço daquela época decorria dos estardalhaços promovidos por um movimento iniciado pela classe média brasileira que, sob a liderança de algumas socialytes, alardeava o seu cansaço com a corrupção que imperava no país. De tão inexpressivo e insignificante na sua composição e propostas, o movimento desapareceu depois de alguns meses, senão poucos dias, de alarde.

 

Reproduzo o texto porque o movimento das socialytes, que me cansava mais do que a corrupção a elas, desapareceu sem deixar vestígios, mas o meu cansaço com os ruídos da classe média foi multiplicado nos últimos anos.

A propósito, hipocrisia pode provocar algum mal a terceiros?

 

 



Categoria: SOCIED, CULT, ESP e MEIO AMBIENT
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h03
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Elogio de Robert Kurz,

Elogio de Robert Kurz,

 

Proferido em 26 de Julho de 2012 no cemitério Wöhrd, em Nuremberg.

 

Cara Roswitha,

Cara Senhora Kurz,

Caros parentes,

Caras amigas e amigos de Robert,

 

A notícia da morte de Robert chegou-me na viagem de regresso de férias. Fiquei sem palavras. Ao horror juntou-se a raiva pelo erro médico e pelo sofrimento de Robert, pelas feridas não cicatrizadas que foram sendo sucessivamente abertas, de modo que o seu corpo ficou marcado por ferimentos e lesões. Tudo isto misturado com a tristeza pela perda do seu pensamento bem próprio e inspirador, e sobretudo pela perda de um homem tornado para mim querido e precioso – apesar dos nossos poucos encontros –, um homem cujo pensamento era para o que vive. Tanto mais penso poder imaginar o que significa a morte de Robert para aqueles que lhe estão mais próximos.

 

À minha mudez juntou-se a reflexão sobre a importância de Robert para mim, um teólogo católico de esquerda, e sobre o que tenho de lhe agradecer. Ele moldou como ninguém nos últimos anos a minha visão de mundo, a minha reflexão e o meu compromisso. Tive de dizer adeus – e muitas vezes dolorosamente – a padrões de pensamento ainda familiares e vejo-me desafiado a repensar mesmo as categorias teológicas. Tornou-se para mim claro que a chamada teologia moderna não atinge a profundidade da análise categorial necessária para conseguir perceber as atuais ameaças de forma adequada. Acima de tudo, ela continua presa na afirmação do iluminismo – mesmo se assume a dialética do iluminismo na sua reflexão – e pensa poder juntar-se a um núcleo supostamente emancipatório do pensamento iluminista.

 

Comungo com Robert a exasperação com o sofrimento das pessoas através de uma história que se caracteriza como história de sofrimento. O desafio apresentado pelo sofrimento não é simplesmente intemporal, mas é sobretudo um problema histórico, o problema dos sofrimentos no e sob o capitalismo. Problema que não pode ser simplesmente resolvido – e as análises de Robert tornam isso bem claro – com moral ou com boa vontade. Pelo contrário, – na formulação de Adorno – o mal reside "nas relações que condenam as pessoas à impotência e à apatia, relações que elas deveriam modificar; e não reside primariamente nas pessoas e na forma como essas relações lhes surgem".

 

O desafio do sofrimento humano não tornou Robert moralista, mas deu-lhe que pensar. Levou-o a uma análise que lhe permitiu reconhecer o que constitui o mal da situação na história do capitalismo: a valorização do valor como fim em si mesmo irracional, e – como ele assumiu do pensamento de Roswitha – a dissociação das atividades que servem para a reprodução da vida. Valor e dissociação constituem a dominação abstrata de um sujeito automático que condena as pessoas à impotência e à apatia. É importante distinguir entre o que é entendido categorialmente como essência do capitalismo no contexto formal de valor e dissociação, de trabalho abstrato, Estado, sujeito, etc., e o que pode ser descrito como suas manifestações. As alterações no plano das manifestações não atingem o contexto formal nem, portanto, a dominação abstrata. Com o reconhecimento desta, no entanto, ficam bloqueadas as vias da facilidade e do alívio. Fica bloqueada a fuga para a imediatidade tão estafada como simplista do ativismo político ou da orientação de campanhas nos movimentos sociais. Não faz sentido invocar o trabalho bom contra o trabalho alienado, o Estado contra o mercado, o sujeito contra o objeto. Um polo não é a solução para o outro, mas parte do problema a ser resolvido.

 

Responder de forma moralista e ativista ao desafio do sofrimento das pessoas no capitalismo parecerá concreto. Na verdade, essa resposta é abstrata num mau sentido, pois abstrai da mediação objetiva que faz sofrer as pessoas na sua pele. Insistir na mediação objetiva do sofrimento dos seres humanos no capitalismo e, portanto, na indispensabilidade da teoria é tão lúcido que pode levar a qualificar a pessoa como Lúcifer. O portador da luz é transformado em Satanás. Quem traz a luz do conhecimento a um sistema de funcionamento cego sofre rejeição, difamação e hostilidade por parte daqueles que se agarram à pretensa segurança de categorias e estratégias de ação familiares, não conseguindo assim abandonar nem mesmo as ideias ilusórias e irracionais de superação do capitalismo dentro do capitalismo.

 

Não é por acaso que o pensamento de Robert também foi sempre perseguido pela ignorância e hostilidade, pelo sarcasmo e zombaria, bem como por acusações de afastamento da prática e de falta de comunicação. No entanto, Robert insistiu em procurar a verdade do que precisava ser reconhecido. Ele resistiu – para usar as palavras de Adorno – "à compulsão quase universal de confundir a comunicação do conhecido com o conhecido e, eventualmente, dar mais importância à comunicação do que ao conhecido". Ele insistiu em que "o critério do verdadeiro não é sua comunicabilidade imediata a qualquer um."

 

Resistir às inimizades e permanecer firme perante as hostilidades é sobretudo possível a pessoas no seu íntimo orientadas de maneira contemplativa – a contemplação entendida como tentativa persistente e resistente de ir até ao fundamento das relações, como expressão de vontade indomável de conhecimento teórico, ou seja, de conhecimento que tenha em vista a totalidade. Isto não é feito por amor de ganho de conhecimento privado, mas para levar o conhecimento aos outros ou, na linguagem do misticismo, contemplata aliis tradere, para levar aos outros o que foi contemplado. No interesse do conhecimento e da humanidade resta esperar que os conhecimentos que Robert nos deixou a nós e ao público possam ser apreendidos e desenvolvidos e obtenham o reconhecimento que a ele lhe foi negado muitas vezes em vida. Esperemos que ainda haja tempo de o pensamento de Robert se tornar frutífero, para pôr fim ao que ele descreveu como uma catástrofe que se está a tornar realidade.

 

O horror perante o extermínio sistemático de pessoas torna-o sensível às ameaças da humanidade no presente. Ele fala do "desaparecimento do homem na modernidade ou na pós-modernidade", de modo que o homem corre o risco de consentir "uma lógica evolutiva não humana, em que a história é em última instância substituída por leis de natureza económica..." . O que isto significa, essencialmente, tornou-se para mim claro no seu dramatismo ao encontrar aquilo que provoca a resistência mais violenta no pensamento de Robert: a teoria da crise. O que Metz designa por "uma lógica evolutiva não humana", é a ‘lógica de crise’ do capitalismo que ameaça os seres humanos. As pretensas leis de natureza económica implicam aquele limite lógico interno e aquele limite ecológico externo que estão no centro da teoria da crise de Robert.

 

A crise do capitalismo, que atua diante dos nossos olhos cada vez mais severamente, empurra as pessoas para uma luta sem tréguas pela autoafirmação na concorrência, em última instância para uma luta de todos contra todos pelas possibilidades que se extinguem de valorização da força de trabalho. As pessoas estão sob pressão de se valorizar constantemente ou serem excluídas como não-valorizáveis ficando no entanto ainda incluídas sob a dominação do trabalho. Robert repetidamente chamou a atenção para as estratégias bárbaras com que ameaça a gestão da crise ou que já se tornaram realidade nas regiões do globo em colapso. Sob o ditame da valorização todos os conteúdos – incluindo os do homem e do seu mundo – correm o risco de se tornar quantidades abstratas de valorização. É exatamente isto que torna o processo de valorização desprovido de conteúdo e o combina com um potencial duplo para a violência: ele visa a aniquilação do outro com a finalidade da autopreservação a todo custo e, finalmente, a auto aniquilação com a finalidade da execução da própria existência sem conteúdo.

 

Perante a destruição de seres humanos como fim em si mesmo, tornada realidade em Auschwitz e perante as catástrofes atuais e iminentes, qualquer pensamento filosófico ou teológico, que pense poder afirmar pomposamente um sentido metafísico universal da história ou até apenas o sentido de uma vida puramente privada virando as costas à história de sofrimento dos seres humanos, tem de ficar sem palavras. E, no entanto, parece que a questão metafísica, como questão sobre a ultrapassagem dos limites, sobre a ultrapassagem dos limites históricos, mas também sobre a possível ultrapassagem dos limites estabelecidos com a finitude do ser humano, é uma questão impreterível. Na nossa situação histórica de ameaça para os seres humanos no e através da crise do capitalismo, não é uma simples questão sobre o sentido da história, mas uma questão sobre a possível salvação do ser humano em face da mortal ausência de perspectivas da gestão da crise capitalista.

 

No último evento em que pude participar na discussão com Robert o assunto era ‘o capitalismo como religião’. Robert deixou claro que com o capitalismo a transcendência já não legitima as condições sociais colocando-se acima delas, mas migrou para a imanência, precisamente para o processo de valorização do valor por amor de si mesmo. O capitalismo "engoliu, por assim dizer, a transcendência e transformou-a em sua própria e permanente transgressão."

 

Será que a distinção entre transcendência e imanência ou, na linguagem teológica, a distinção entre Deus e os ídolos como imanência absolutizada inclui uma perspectiva de salvação? Transcendência seria aquilo que não pode ser reduzido ao conceito na lógica da identidade nem pode ser instrumentalmente valorizado. A proibição de imagens em sua forma teológica e filosófica protege essa transcendência. Ela não deveria ser pensada ‘para além’ da história, mas produzindo efeito na história, como uma questão em aberto e que abre uma imanência fechada à necessidade material e somática do ser humano e assim como questão a ser transcendida. Transcendência assim entendida marca uma diferença fundamental entre o mundo como ele é e como poderia ser.

 

 

Heribert Böttcher

 



Categoria: MUNDO
Escrito por Fernando Gelfuso às 22h46
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Robert Kurz

Robert Kurz

 

O mundo perde um dos mais importantes intelectuais das Ciências Humanas, o filósofo alemão Robert Kurz, sepultado no dia 27 de julho passado, na cidade de Nuremberg (Alemanha).

Estranho que a grande imprensa tenha gasto pouquíssima tinta para informar o passamento do grande pensador; isso talvez porque se tratava de comunicar a morte de um dos mais destacados teóricos do marxismo e um daqueles críticos contundentes e bem fundamentados do sistema capitalista e do seu modelo "produtor de mercadorias".

Como escreveu o site Outras Palavras, “Kurz foi um crítico impiedoso dos conceitos gerais do chamado “marxismo oficial”, desenvolvido pela esquerda dogmática e positivista. Ela ajudou a burguesia liberal a erigir a sociedade da mercadoria em que atualmente o mundo está atolado, levando a humanidade a uma situação de penúria sem precedentes. Para o filósofo, o movimento socialista serviu, em ultima instância, como avalizador das relações de consumo em que vivemos”.

Para os amigos que não conheceram a obra do Bobby Kurz, ficam aqui algumas indicações:

- “O Colapso da Modernização” – seu mais importante livro.

- “Os Últimos Combates” – livro imperdível

 

- O Retorno De Potemkin: Capitalismo de fachada e conflito distributivo na Alemanha

- http://www.krisis.org/ - site onde se encontra inúmeros artigos.

- http://obeco.planetaclix.pt/robertkurz.htm - textos, entrevistas e livros da fera.

 

Perdas como a de Kurz nos faz pedir: camarada, continue pensando por nós...



Categoria: MUNDO
Escrito por Fernando Gelfuso às 21h08
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Economia de Mercado e o futuro do planeta e da humanidade

Economia de Mercado e o futuro do planeta e da humanidade

Discurso do presidente do Uruguai, José Mujica, na Rio+20.

 

Meus companheiros trabalhadores lutaram arduamente para conquistar o direito a oito horas de trabalho; e agora eles estão conseguindo o direito às seis horas. Mas aqueles que conseguiram seis horas, precisam agora ter dois empregos, portanto, trabalham mais do que antes. Por quê? Porque têm que pagar por uma infinidade de novas despesas. Porque têm que pagar a moto, o automóvel... o macaquinho da Kipler... a caneta perfumada, a borracha do Mickey... a Barbie e os objetos dos seus desejos – os dela Barbie.

O desenvolvimento não pode ser contra a felicidade humana.

O primeiro elemento do meio ambiente se chama: felicidade humana.

 

Assistam o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=zsOGZKRVqHQ

 



Categoria: SOCIED, CULT, ESP e MEIO AMBIENT
Escrito por Fernando Gelfuso às 21h45
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A carta de Theotônio dos Santos a FHC

A carta de Theotônio dos Santos a FHC

Pedimos permissão ao autor do texto, bem como ao jornalista Luis Nassif, em cujo blog encontramos a preciosidade que está publicada logo aqui em baixo. A nossa atitude - de reproduzir na íntegra um texto alheio, ação por nós considerada pouco adequada - deve ser justificada pela necessidade de se divulgar por todos os meios possíveis as informações que a grande imprensa não publica, por mais relevante que seja a dita informação.

Aproveitamos para indicar aos amigos visitantes deste blog a leitura cotidiana da página do jornalista Luis Nassif.

Aqui vai o link para a leitura deste artigo: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-carta-de-theotonio-dos-santos-a-fhc

 

A carta de Theotônio dos Santos a FHC

Por Webster Franklin

Emilia M. de Morais publicou no grupo Amigos do Blog Luis Nassif Online

 CARTA ABERTA A FERNANDO...

Emilia M. de Morais
8 de Setembro de 2012 10:19
THEOTONIO DOS SANTOS: CARTA ABERTA A FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960.

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.

Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito - Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade. E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição os 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço.

Theotonio dos Santos Júnior (Carangola, 11 de novembro de 1936) é um economista e cientista político brasileiro. Um dos formuladores da Teoria da Dependência. Hoje é um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo. Mestre em Ciência Política pela UnB e doutor “notório saber” pela UFMG e pela UFF. Professor emérito da UFF. Coordenador da cátedra e rede UNU-UNESCO de Economia Global e Desenvolvimento sustentável – REGGEN.



Escrito por Fernando Gelfuso às 16h02
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Retorno com Frei Beto

Retorno com Frei Beto

 

 

Depois de quase sete meses de ausência, cá estamos para alguns rabiscos que objetivam mais aliviar a alma de um incomodado cidadão, do que informar alguns poucos bem intencionados que se aventuram por essas bandas.

 

 

Começamos indicando um artigo do Frei Beto onde ele discute o papel do Estado nas sociedades contemporâneas. Chama a atenção no artigo os questionamentos: o que é democracia? Como ela é e a quem serve?

A partir do texto que nos oferece Frei Beto podemos refletir sobre inúmeras questões às vezes levantadas pela grande imprensa, mas sempre muito pouco discutida, como é a do financiamento de campanha – público ou privado? Observem o fragmento abaixo:

 

“Quantas vezes vemos, pela mídia, as portas dos palácios de governo se abrirem aos empresários! Quantas vezes nossos governantes aparecem sorridentes ao lado dos homens de dinheiro! Agora compare: quantas vezes mostram a cara ao lado de sindicalistas, líderes de movimentos populares, sem-terras, ambientalistas e desempregados?

Nossa democracia homeopática é meramente delegativa. Pelo voto, o eleitor delega a um político o poder de representá-lo. Eleito, o candidato tende a representar, de fato, quem lhe financiou a campanha. Portanto, nossa democracia é parcialmente representativa. Representa, na esfera política, quem tem poder na esfera econômica”.

 

Aí vai o link para que os amigos leiam o artigo na íntegra.

 

http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7598:freibetto060912&catid=17:frei-betto&Itemid=55

 

 

 



Escrito por Fernando Gelfuso às 00h17
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Inglaterra: quem protesta?

Post publicado no dia 11 de agosto de 2011, momento em que a Inglaterra foi sacudida por movimentos sociais com predominância de jovens da periferia das grandes cidades, notadamente os descendentes de imigrantes.

 

Inglaterra: quem protesta?

 

Segundo o sociólogo Sílvio Caccia Bava, os jovens ingleses protestam contra a exclusão, a discriminação e o desemprego. Não são, portanto, saqueadores ou marginais como vem alardeando a mídia em geral.

Assistam ao vídeo, cujo link segue abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=HI1YSPHVeIA&feature=youtu.be

 



Categoria: MUNDO
Escrito por Fernando Gelfuso às 00h01
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Compensações? Como? Quais?

Compensações? Como? Quais?

O jornal O Estado de São Paulo publica na edição de hoje, 16 de fevereiro de 2012, uma matéria com o título "PSDB inicia movimento para acabar com as prévias e compensar pré-candidatos".

Tudo bem, tudo mais do que normal. Uma notícia cotidiana, corriqueira em um momento que antecede a largada para mais um processo eleitoral. O que não fica bem, o que extrapola os limites da normalidade é a aparição de uma expressão, uma única palavrinha, inserida no texto com o objetivo de expor a manifestação do governador Geraldo Alckmin, ou melhor do Palácio dos Bandeirantes: COMPENSAÇÃO. "No Palácio dos Bandeirantes, já se fala em compensações para os quatro pré-candidatos que colocaram seus nomes na disputa...", é isso, é assim que a tal palavrinha é colocada. Simples assim, os quatro pré-candidatos podem receber compensações se retirarem suas candidaturas, se apoiarem o fim das prévias.

Algumas perguntas esperam por respostas: que tipo de "compensação" receberiam esses quatro pré-candidatos? Receber "compensações" de um poder instituído, no caso aquele que foi instituído no Palácio dos Bandeirantes, é legal? Se sim, é moral? É ético? É descente? É sério? Sim, porque, até onde se tem lido na grande imprensa, os senhores Alckmin, Serra, Aloísio Nunes, enfim o PSDB inteiro, constituem-se nos grandes baluartes, os guardiões da moralidade nacional.

A notícia, de fato, caiu como uma bomba em meu território, já que eu já estava me acostumando com a verdade única, exclusiva, de que a imoralidade reside em Brasília, cidade que aloja o emporcalhado PT.

Segue o link para que os amigos possam ler a citada matéria:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,psdb-inicia-movimento-para-acabar-com-as-previas-e-compensar-pre-candidatos-,836566,0.htm

 



Categoria: BRASIL
Escrito por Fernando Gelfuso às 15h29
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